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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Bendita Luz do Reino Central

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016 - 4 Comments


Salve Deus!

Oh! Bendita Luz do Reino Central! Força absoluta que vem de Deus misericordioso.

Emite em meu coração, para que eu possa conservar a tolerância de compreensão, Que todo amor fraternal da herança transcendental, possa impregnar o meu sol interior, fazendo-me sentir o prazer deste mundo, que ainda vive o meu plexo físico.

Emite, também, Oh! Simiromba, meu Pai, o meu anodaê, que me dá alegria de viver e fortalece os três reinos de minha natureza.

Oh! Grande Oriente de Oxalá! Faze com que as forças se movimentem em meu favor e com elas, eu possa deslocar-me para outros mundos, também, em favor de alguém menos esclarecido ou que, Necessitado da força luz do Jaguar, possa dispor do meu amor.

Oh! Simiromba, meu Pai! Esta e a hora de minha meditação e, que me faz lembrar os meus entes queridos, os meus amores e aqueles que se dizem meus inimigos. Sinto as forças que se deslocam e se projetam em todo o meu ser, fazendo-me feliz.

Salve Deus!
A Mãe em Cristo,

TIA NEIVA
VALE DO AMANHECER – DF. 29 DE JANEIRO DE 1979

Obs.: Disponha, filho, desta prece, escolhendo as frases que te interessarem para tuas invocações.

Os Mistérios da Iniciação


Não devemos comentar o quê passamos ou observamos no Castelo de Iniciação. Não é que se quebra “uma promessa” e sim se quebra o encanto!

A Magia da Iniciação deve ser preservada! Somente poucos Mestres e Ninfas, efetivamente responsáveis por este trabalho é que devem ter acesso a este setor do Templo.

Não podemos de forma alguma gerar temor no Aspirante, mas devemos incentivar sua concentração e mediunização. Fazer que viva intensamente os momentos de sua Iniciação, que ficarão marcados em toda sua vida física e em sua memória transcendental. Um toque de mistério, uma saudável expectativa, mas nunca despertar o temor do medo pelo desconhecido! Deve ficar claro que não passarão por nenhum tipo de constrangimento ou perguntas inapropriadas.

É um momento mágico que não deve ser quebrado! Somente se pode voltar ao Castelo de Iniciação, após ter feito a sua, quando for Padrinho ou Madrinha, e ainda assim irá a um Castelo diferente do que participou como Iniciante. A exceção, repito, fica por conta dos poucos Mestres e Ninfas que devem preparar o ambiente e participar na organização do Trabalho.

Como é linda nossa Iniciação! Inesquecível! Intraduzível com palavras humanas. Foi isso que vivi e que temos a obrigação de providenciar para os futuros Iniciados. Nosso Primeiro Passo Iniciático! Só vamos descobrir que os melhores momentos de nossas jornadas mediúnicas foram os tempos de “branquinho”, quando o tempo tiver passado!

Há algum tempo, a pedido de um Instrutor responsável por Iniciações, redigi uma cartinha para ser entregue nos momentos que precedem a Iniciação:

PARA ANTES DA INICIAÇAO

Meus irmãos,
Salve Deus!

Hoje é uma data especial! Vossos Mentores os conduzirão ao Primeiro Passo Iniciático, e o mais importante de toda a vossa encarnação!

Hoje inscreverão vossos nomes no Grande Livro dos Iniciados dos Himalaias, passando pela mesma Iniciação que recebeu Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ficará marcado em seu espírito por mais de 10.000 anos este Passo, e mesmo que ainda deixem esta Doutrina, os Mantras de Luz não se apagarão e terão a Proteção Divina em sua passagem.

Está a vossa espera, nesta noite, Sete Mantras de Luz a vossa disposição! Cada um receberá conforme a sua sintonia neste momento. Procurem liberar as vossas mentes e deixar que somente vosso espírito os conduza nesta hora. Confiem em vossos Padrinhos e Madrinhas que os conduzirão nesta jornada. Com a mente livre de qualquer preconceito ou idéias, poderão verdadeiramente obter o quê está a vossa disposição.

Somente a alma livre, despojada das coisas mundanas, é que pode ter acesso a tudo que vos é oferecido. Hoje, agora, nada mais existe além de vosso compromisso com esta jornada, repetindo os passos do Grande Mestre, e colocando-se com toda a segurança a disposição da Espiritualidade Maior, no fiel cumprimento da missão que assumem.

Pai Seta Branca vos espera! Vossos Mentores já estão ao vosso lado! Cumpram o quê se dispõem a fazer, e celebrem vosso ingresso na Escola do Caminho fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ao terminarem esta noite inesquecível terão encontrado a morte do velho homem, renascerão como verdadeiros Médiuns... Renascerão como Filhos de Pai Seta Branca.

Boa sorte a todos e tragam o quê lhes é ofertado: Os Sete Mantras de Luz de Simiromba!

Salve Deus!

Kazagrande

O Confessionário

Genésio chegou na lanchonete, pediu o cafezinho e juntou-se aos outros jaguares que conversavam animadamente sobre a última reunião de escalas.



- E aí pessoal? Salve Deus! Sabem da última? O Serginho vai abrir um templo! Imagina, com aquela ninfa metida a chefe que ele tem...



Os jaguares cerraram as expressões. Após o choque, um deles perguntou:



- Salve Deus, mestre! Mas de onde você tirou esta idéia?



- Acabei de sair dos tronos e ele passou comigo. Como é que pode um tipo daqueles querer assumir uma missão como esta? Ainda mais com a ninfa que...



Não pode terminar a frase, um dos mestres levantou-se abruptamente empurrando a cadeira e saiu sem falar nada. Outro disse “Salve Deus” e retirou-se também constrangido.



- Mas o que deu neste povo? Perguntou Genésio ao único que ficara na mesa.



- Meu irmão! Como é que você faz uma coisa destas?



- Só comentei o que tudo mundo em breve vai estar falando por aí. Aquele camarada não tem a menor condição de...



Novamente foi interrompido por um “Salve Deus!”.



- Não me refiro a esse fato meu irmão! Que já é muito ruim, mas falo do pior! Como é que você sai comentando uma conversa dos tronos?



- Mas não tem nada demais – defendeu-se Genésio – Falei uma coisa que logo, logo, todos vão saber.



- Não importa! – retrucou o jaguar – Você não sabe o quê é um atendimento nos tronos? Ali você é um sacerdote, e cada atendimento é uma confissão. Não importa quem seja ou qual seja o assunto. Nossa missão, nosso juramento perde-se, quando ferimos esta confidencialidade.



- Em um trono se pode ouvir de tudo. – continuou o mestre – Em uma mesma fila de espera podem estar a vitima e o assassino. Ao Doutrinador cabe apenas ouvir a mensagem do Preto Velho e estar atento a tudo que se passa. Do paciente, sequer se deve prestar a atenção! Nossa missão ali é com a Entidade, é velar pelas comunicações. Sentir tudo que está envolvido espiritualmente e doutrinar aqueles espíritos que nos são encaminhados.



- Comentar algo que se disse nos tronos, não importa com que intenção, é ferir nosso compromisso é romper com nossa missão.



- Às vezes, um paciente pode chegar com Aids, ter matado uma pessoa, estar a beira do suicídio e outras tantas situações as quais não nos cabem julgar. Temos que ser verdadeiramente profissionais como o Trino Tumuchy nos ensinava!



- O que você faria se chegasse alguém assim, em uma das condições que falei?



- Não sei.... acho... sei lá! Deixava a intuição mandar. – respondeu já constrangido Genésio.



- Oh, meu irmão, lhe faltaram instrutores... – assumiu o Jaguar – Temos que nos calar! Cumprir a missão, é cuidar das comunicações, da segurança do trabalho. Zelar pelo Apará que confia em nós naquela hora, e pelo paciente, que se chegou ao ponto de revelar qualquer coisa, ou é porque está desesperado, ou porque verdadeiramente confia em nós.



- Quer dizer que o Serginho falou ali por que estava confiando em mim também? – Concluiu envergonhado Genésio.



- Exatamente! Ele confiou primeiramente na entidade que estava ali e depois em você, e também no Apará. Claro que para o Apará é diferente, quando está incorporado ele está consciente e sabe tudo que o paciente está falando. Mas depois de desincorporar as lembranças vão se apagando, vão se desvanecendo até que só permanece aquilo que serve para ele também. Se um Apará se fixa no atendimento que realizou pode conservar alguma lembrança, isso é perigoso. Melhor mesmo é esquecer sem correr qualquer risco de falar demais. Tenha certeza meu irmão, o preço é muito alto e para você, que a partir de agora que já sabe, ficou mais caro ainda.



- Vigi, melhor seria nem saber então! – concluiu Genésio em sua inocência.



- Na verdade, dessa informação você não pode correr. Faz parte de seu trabalho como Doutrinador!



- Vou conversar com minha Ninfa então, às vezes ficamos falando sobre todos que passaram nos tronos. – refletiu o já consciente Genésio.



- Faça isso! E a partir de agora seja um padre. Não pode, e nem deve, pensar em nada que lá se passa, além das mensagens que o preto velho passa e que com certeza podem servir para vocês também.



- Obrigadão Chico, nunca mais vou comentar estas coisas, vou procurar os outros que estavam aqui e mês desculpar.



- Sei que você tem inocência no seu coração, meu irmão, só precisa aprender e se cuidar mais.



- Valeu mesmo!



“Genésio” é um personagem usado para ilustrar esta situação. Um doutrinador com muito amor no coração, mas que ainda não compreendeu a essência da nossa doutrina.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O quê é Proselitismo Religioso?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016 - 4 Comments

Quando ingressamos na Doutrina do Amanhecer uma das recomendações que recebemos, já na palestra inicial, antes de fazer o teste mediúnico, é para não praticarmos o proselitismo religioso. Fala-se que em nossa Doutrina não praticamos tal atitude. Devido a palavra ser tão diferente de nosso vocabulário diário, surgem dúvidas a este respeito: Mas o quê é proselitismo religioso?

Poderíamos buscar a origem desta expressão nos antigos escritos bíblicos e chegarmos até sua aplicação atual, dentro das mais diversas religiões, mas vamos nos ater ao sentido prático do ato de realizar o proselitismo religioso.

Proselitismo é a divulgação, a insistência em querer incutir na cabeça das pessoas um dogma, uma crença, um sistema religioso, mesmo que contra a vontade dos outros. Este “pregador” é um verdadeiro incômodo aos demais, pois eles são insistentes, pragmáticos, quase beirando ao fanatismo e muitas vezes fanáticos assumidos.

No texto anterior, “Aprendendo com vocês”, me referi a empolgação natural que sentimos ao ingressar na Doutrina, e querer que outras pessoas sigam este mesmo caminho, que tanto nos esclarece e nos faz bem. É natural, por presenciamos fenômenos, curas e sentimos quase um dever em sair buscando auxiliar a aqueles que ainda vivem na ignorância do mundo espiritual.

Quando nos deparamos com quadros aos quais gostaríamos de ajudar, mas que, pela nossa compreensão, não devemos nos envolver, podemos vibrar, em nossos trabalhos, pedindo que recebam as forças para se reequilibrarem, ou convidá-los a passar como pacientes, mas sempre alertando de que a nada ficarão obrigados, especialmente a entrar na Doutrina.

Certa vez ouvi um Adjunto falando ao povo de um Templo, que cada um deveria convidar mais três pessoas e assim em breve estariam completamente estruturados. Salve Deus!

Sair convidando? Isso é a mais legítima expressão de proselitismo, principalmente se este convite já vem com a intenção clara de trazer o convidado para dentro da Doutrina! Não foi isso que aprendemos!

Aprendemos que muitos passam como pacientes e somente uns poucos recebem o convite para desenvolver sua mediunidade, isso sem mencionar onde. A pessoa precisa desenvolver sua mediunidade, as portas da Doutrina estão abertas, mas ela pode e deve escolher onde se sentir melhor.

Vejamos o quê passou Tia Neiva, no início de sua jornada, ainda na UESB:

Nós somos realizados nesta Doutrina!

Salve Deus!

E por isso, talvez, muitos de vocês se empolgam nestes acontecimentos e começam a insistir com as pessoas para se desenvolverem.

Eu até não me importo!...

Então, depois, começo a me recordar desses erros que eu também já cometi.

Quero alertar vocês, quero explicar para que tenham muito cuidado: cortem esses convites! São muito perigosos e nos trazem, inclusive, perigos pessoais, atrasos...

Em 1960, quando eu iniciava meu mestrado no Tibete, me apareceu uma família: um viúva, com um filho de 25 anos, mais ou menos, que bebia muito, casado e com dois filhos.

Eu achava - como vocês - que o Homem só se realiza quando se desenvolve, e pronto! Comecei a insistir com aquela família para vir se desenvolver aqui. Entre outras coisas, disse-lhes que o rapaz, com o desenvolvimento, ficaria bom. Ele ficou muito ligado a nós e todos começaram a se desenvolver.

Um dia, vi o quadro do rapaz: em mais ou menos um ano ele iria morrer! E, então, me arrependi de tê-los trazido para a UESB. Mãe Nenê era quem se encarregava, com todo o amor, de doutrinar aquela família. E o rapaz - o Zé Ratinho, apelido que tinha desde criança - ia à UESB por brincadeira. Mas deixou de beber. Ele ia à UESB para ficar na “rodinha”, totalmente sem sentimentos, sem qualquer coisa.

Um dia, um telegrama: o rapaz fora jogar bola, em Belo Horizonte, e morrera com um mal súbito. Foi um choque terrível para todos, mas eu já esperava por isso. A reação da mãe é que me surpreendeu: começou a se lastimar, dizendo que aquilo era castigo porque haviam sido sempre tão católicos e agora não eram... haviam matado o filho querido por se tornarem espíritas... E isso durou muito tempo. Diziam, me culpando, que aqui só existia feitiçaria, e tudo o mais. E eu tive a maior decepção do mundo com minha assistência àquela família!

Certa vez que estava no Canal Vermelho, ouvi uma voz chamar:

- Irmã Neiva!

E me deparei com Zé Ratinho. Nesta época todos me chamavam de Irmã Neiva. Ele falou:

- Oh, Irmã Neiva, graças a Deus! Por que não aproveitei mais? Mas, por que Mãe Nenê não está aqui? Por que não ouvi mais Mãe Nenê? Ela, com aquela doutrina dela... Enjoada, né? Enjoada... mas graças a ela que estou recebendo uma luzinha aqui! A senhora está boa, né, Irmã Neiva?

Então, vi que ele jogara fora tudo o que eu tinha feito, todo aquele sacrifício. O que valera a ele, afinal, tinha sido a doutrina de Mãe Nenê!

Fiquei muito decepcionada. Eu, que fizera tudo de bom (que naquele tempo pensava), via que a única coisa boa fora a doutrina de Mãe Nenê. Mãe Tildes foi me dar uma explicação:

- É mesmo, filha, o Homem só sente, só é atingido, depois que nasce quando ele tem qualquer convicção da vida fora da matéria, quando ele tem vontade...

E Mãe Tildes me explicou que minha missão aqui é esclarecer o Homem, a Doutrina, mas no coração e na mente... Tia Neiva em 27 de junho de 1976

Espero desta forma, deixar clara a posição doutrinária em relação ao convite para outras pessoas:

* Não saímos “por aí” convidando ninguém.

* Quando procurados por alguém em dificuldades, podemos orientar e até mesmo facilitar sua chegada ao Vale para exclusivamente passar como paciente.

* Somente uma Entidade, incorporada nos Tronos pode realizar o convite. Mesmo que você leve um parente seu, pode ser seu filho ou mãe, terá que passar primeiramente pela Entidade e TALVEZ dela ouvir o convite.

* Nossa Doutrina funciona por atração magnética! Quando há energia disponível no Templo, os pacientes chegam, e quando a missão necessita ser ampliada nossas Entidades tratam de convidar os que estão verdadeiramente destinados.

Kazagrande

O quê quer dizer gregorinho?


O termo “gregorinho” surgiu para nomear os fofoqueiros, criadores de intrigas e semeadores de mentiras, ilusões e parcialidades. Tia Neiva mesmo usava esta expressão para denominar estes que ainda vivem no conflito de suas energias.

Atenção, meus filhos!

Temos visto muitos “gregorinhos” e “gregorinhas” por aí, sempre contando novidades – na maior parte mentiras –, espalhando o ódio e a desconfiança entre esposa e marido, desfazendo lares, gerando desequilíbrios.

Isso é muito perigoso.

Quantos, ao chegarem no dia de prestar contas, vão verificar que, com suas línguas, cortaram o carma de outras pessoas, e não poderão por a culpa em ninguém, senão em si próprios, no seu coração ainda em evolução...

Tia Neiva, sem data

Origina-se da história “Almas Gêmeas” contada por Tia:

Mas a Lei de Causa e Efeito sempre está em vigor. E um preto velho, chamado Gregório, que muito havia sofrido naquela fazenda, a mando do sinhorzinho, soube da existência daquela criança e descobriu toda a situação. Impulsionado pelo desejo de vingança, correu a contar tudo para a sinhazinha. Não poupou detalhes malvados e aumentou muito as coisas para fazer sofrer, o mais que pudesse, aqueles que o tinham castigado um dia.

Tia Neiva, sem data

O PRIMEIRO COMANDO DA ESTRELA CANDENTE


Relendo meus guardados, buscando a inspiração para o longo dia que foi hoje, deparei-me com um texto do Adjunto Otalevo que, após relê-lo não pude resistir em publicá-lo. Primeiramente pelo grande apreço que tenho por este Comandante e também, por citar já no começo, o Mestre Roberto Roque, que há tempos não atualiza seu blog. Quem sabe assim ele desperta para fazer outros questionamentos que possam transformar-se em textos tão bem escritos como este. Além citar também a Teresinha, pessoa a quem conjuntamente admiramos, e a quem minha Ninfa dedicou sua primeira apresentação em PowerPoint fora de seus estudos (publicada neste blog).

Kazagrande

Vou contar esta história atendendo a um pedido do mestre Roberto Roque. Na verdade, foi uma ameaça. Ele me disse que se eu não contasse, ele contaria lá do jeito dele. Achei melhor não correr tamanho risco.

A Estrela fora inaugurada há poucas semanas. Não existiam ainda Comandantes Janatã, sequer adjuntos. Nós, consagrados como Mestre Luz, sob o Comando do saudoso Mestre Nóia, éramos os responsáveis pela organização das consagrações, desde os ensaios feitos antes da inauguração da Estrela. Os mestres interessados em comandar o trabalho colocavam os nomes em um livro, que ficava na Casa Grande, chegavam mais cedo naquele dia, pegavam a bolsa com cartas, lei e o mais necessário para uma escalada e subiam para a Estrela, só isso. No final da tarde, devolviam a bolsa e iam embora. Não havia o ritual de entrega das energias. Aliás, nem Turigano.

Era o meu dia. Passei na Casa Grande e deparei com expressões de surpresa e alívio, pois não tinham identificado, só pelo nome, quem era o mestre “João Amilcar”, como assinei.

- É o João, filho da Nercy, seu Mário gritou para Tia.

- Então pode. Entrega a bolsa, ela respondeu lá do Sétimo. Minha cara de “não estou entendendo” deve ter sido irresistível. Tanto que Seu Mário veio me explicar:

- Liga não João, está tudo bem. É que ontem, o comandante fez tanta besteira que Neiva subiu até a Estrela a pé, deu a maior bronca, mandou todo mundo descer. Ela ficou muito triste, dizendo que nem sabia se ainda poderíamos abrir o trabalho novamente. Acho que a zanga já passou mais. Só que estávamos preocupados, sem saber se o comandante de hoje não iria causar problemas novamente. Você tem alguma dúvida? Hoje talvez tivesse.

Com 18 anos, o cabelo no meio das costas e vendo desafios em todos os perigos, claro que afirmei estar tudo bem com veemência suficiente para receber a bolsa e ainda uma tapinha de boa sorte nas costas. Entrei no meu fusquinha 69 (estávamos em 76, não era tão velho assim...) e fui para o Solar dos Médiuns ouvindo Hendrix no volume máximo do PHILIPS de bandeja. Quem tem menos de 40 talvez tenha alguma dificuldade para entender o que escrevo, mas pode ter certeza que estava tudo “jóia” para mim naquele dia. Estacionei em frente ao córrego que cortava o Solar dos Médiuns e levava água para a cachoeira. Tirei a bateria do carro e liguei no amplificador do radar, sem a qual nada de som.

Contei os presentes, não davam. Coloquei a bateria no carro novamente e fui bater nas portas das poucas casas da época, convidando mestres e ninfas para participarem da consagração, até completar o mínimo exigido pela lei. Até sobrou. Terezinha chegou, pegou o microfone e começou a cantar. Ela fazia isso todos os dias. Um trabalho fantástico fez essa ninfa, naquele início do mestrado. Sem ela tudo teria sido muito mais difícil. Inclusive porque era quem conhecia melhor o ritual e esclarecia as dúvidas porventura surgidas nos comandantes.

Ergui os braços, para convocar os mestres para o coroamento, e o zíper da minha calça estragou e abriu, de cima em baixo. Fui salvo por Terezinha, que tinha um alfinete sobrando na indumentária e me emprestou. Ela me disse que dava para continuar. Acreditei e continuei. Ai Tia chegou, com jornalistas e fotógrafos. O Vale tinha saído em uma revista de grande circulação há pouco tempo e fora descoberto pela mídia. Toda hora tinha alguém pedindo entrevista para os médiuns desacostumados, encabulados, sem jeito. Recebi mais umas instruções e pude começar, finalmente.

Na época, quando os mestres deitavam no esquife, lá ficavam por vinte minutos, enquanto o comandante ia imantrando, ou seja, falando por bem meia hora. Nem todos tinham tanto argumento assim e a bolsa já continha várias preces, para encher o tempo. Prece de Cáritas, Prece Hindu e outras das quais já não me lembro. Segui o roteiro e li as tais cartas, mas achei aquilo meio devagar demais. A consagração terminou, Tia estava muito satisfeita, aliviada mesmo. Me deu um beijo, riu, chamou para o almoço, foi para casa com os repórteres. Tem uma foto minha, com ela no radar da Estrela, naquele dia (aparece até a braguilha mal fechada), na casa do Mestre Pedro Izídio, Adj. Muyatã, no Muyatã do Amanhecer, em Planaltina de Goiás. Vale conferir.

Assim, na segunda consagração, sem Tia para escutar (era o que eu achava), quando os mestres se deitaram, fechei os olhos e improvisei. Rezei, invoquei, filosofei... Certamente não lembro o quê, quanto ou como. Mas funcionou. Estava há uns dias sem ir ao Vale. Cheguei na Casa Grande e já subi para o trabalho. Não desci para almoçar com Tia, preferindo armar minha rede em um dos quiosques e ficar desenhando na velha prancheta. Eu era o Comandante do dia e tudo ali estava sob minha responsabilidade. Me contentei com um pacote de biscoitos e uma coca.

Como também não fiquei de conversa fiada com ninguém, parece que só eu não sabia que estava marcada uma reunião na Estrela naquela tarde, para depois da segunda consagração. Era sobre uma peça teatral que Tia queria montar, contando uma história dos pretos-velhos, acho que da Cachoeira do Jaguar. Naqueles tempos, os mestres ficavam por perto da Casa Grande, conversando, esperando Tia dizer que estava na hora de ir para a Estrela. Ai subiam todos juntos.

Bem, foi assim: Os mestres se deitaram nos esquifes, não tinha ninguém fora da parte iniciática, fechei os olhos, falei quase meia hora e, quando abri os olhos de novo, centenas de mestres me ouviam, outros tantos estavam chegando. Se fiquei encabulado? Deixa pra lá! Ao sair, muitos comprimentos, elogios. Nestor (1º Mestre Jaguar) e Mário Sassi, que estavam conversando, me chamaram.

- Este serve! Apontava para mim, Mário disse.

- Estou reunindo um grupo e mestres, para umas aulas especiais. É secreto. Não comente com ninguém. Venha na terça-feira, às nove horas da noite, para o Castelo dos Doutrinadores, Nestor me falou, baixinho.

Tinha tanta gente em volta, falando, rindo, cantando, que não ouvi muito bem. Só me lembro desse trecho, mas ele falou um pouco mais, que se perdeu. Era o convite para participar da primeira turma de centuriões do Amanhecer, da qual tive a feliz oportunidade de fazer parte. Mas isso é outra história. Importante mesmo foi aquele meu improviso, ouvido pelas pessoas certas, na hora certa, que mudou a minha vida mediúnica. Aliás, naqueles vinte minutos, foi o que fiz: me mediunizei e deixei fluir.

Muitos de nós esqueceram como se faz. Decoram umas leis e cartas e se acham grandes médiuns. Na terceira consagração já estava escuro. Acendemos um lampião a gás e um mestre foi na frente dos demais, levando-o sobre a cabeça, para iluminar o caminho. Aquele lampião ficava no centro Estrela, na base da elipse, durante todo o ritual.

Concluído o trabalho, nos despedimos, os mestres foram para as suas casas e desliguei a bateria do som, rumando para o meu carro no escuro. Passei pela pequena ponte sobre o córrego, pus a bateria sob o banco traseiro do fusca e, quando ia conectar os cabos, lembrei que tinha deixado a minha querida caixa de canetas na choupana. Larguei tudo como estava e fui correndo buscá-la. Mais uma vez atravessei a ponte, peguei a caixa de canetas e voltei correndo. Ai esqueci da ponte e cai no córrego, com capa e tudo. A caixa se abriu e as canetas se foram na correnteza. Tentando pegá-las, escorreguei e cai mais algumas vezes, até desistir da tarefa impossível naquela escuridão.

Voltei encharcado para o carro, zangado pelas canetas perdidas. Liguei a bateria e desci para a Casa Grande. Lá chegando, Tia, Mário e outros tantos jantavam na mesa principal. Quando me viram daquele jeito, todo molhado, pingando, com a bolsa em um braço e a capa enrolada no outro, pararam de comer, sem entender bem o que estava acontecendo, só me olhando de cima em baixo. Seu Mário, com a mente ágil que Deus lhe dera, reagiu primeiro:

- Ué, choveu???

- Não! Cai no córrego, respondi.

Nem é preciso tentar descrever os risos e gozações que se seguiram. Tia ria de correr lágrimas:

- Mário, chuva nesta época do ano!?

E ria, ria...

- João foi batizado pelo Povo da Cachoeira!

E ria mais ainda. Todos riam, menos eu, com fome, com frio e, especialmente, sem as minhas canetas. Seu Mário, rindo ainda, veio me perguntar se eu precisava de alguma roupa emprestada, “uma cueca, uma meia...” A idéia de vestir uma cueca do Seu Mário, com todo o respeito, não me animou muito. Assim, agradeci e disse que tinha vindo direto do Colégio e, por isso, tinha roupa no carro. Só queria ir embora para casa. Ai me lasquei. Tia ouviu e disse que não era para ir embora coisa nenhuma. Deveria jantar e participar da aula que ia começar dali a pouco, no templo. Ainda tentei escapar:

- Mas a reunião é só para Mestre Sol.

- Você fica!

Fiquei, é claro. Um frio terrível, o templo gelado, eu sentado numa meia parede, de um tijolo de largura, na porta do Castelo dos Devas, encolhido, só de calça jeans e camiseta, descalço, revezando a ponta do pé que apoiava no chão de cada vez. Êta aula que não acabava nunca...! Não me perguntem o que estava sendo ensinado pois não me lembro de uma palavra. Lá pelas tantas, Tia chamou do radar:

- João?

- Estou aqui Tia. Posso ir embora?

- Ainda não!

E o frio aumentando. Já me arrependia de ter recusado a oferta do Seu Mário, quando Tia chamou novamente:

- João, cadê você?

Não respondi. Estava cochilando. Alguns mestres disseram que “está ali encolhido” e ela me liberou:

- Pode ir agora, meu filho.

Ia saindo do Templo ligeiro (... e se ela mudasse de idéia??) quando Tia começou a contar para a platéia o que tinha me acontecido. Quando riram, eu já estava entrando no fusca e ligando o som, bem alto. A volta foi ouvindo Deep Pourple para não dormir no volante. Depois, muito depois, ela me disse que:

• Me elogiaram muito naquele dia e o banho no córrego foi para eu não ficar muito convencido;

• Os bônus adquiridos naquele trabalho permitiram que ela fizesse outro trabalho, enquanto me deixava esperando no templo, barganhando com um cobrador que me tocaiava na estrada para um terrível reajuste, assim permitindo que eu passasse em paz.

Mais na frente, fui consagrado Comandante Adjunto Regente, junto com Dias, José Donato e outros mestres cujos nomes dos Ministros também começam com a letra “O”, um indicativo daquela nossa honrosa classificação. Comandar a Estrela Candente não é como comandar qualquer outro trabalho no Amanhecer. Ali, a vida e a morte se encontram. Espíritos são desintegrados e tudo que foram um dia desaparece, a energia que os formou sendo distribuída para os necessitados, nos hospitais, nos leitos de dor. É a lembrança que nos restou do fim da era dos Equitumans e da vaidade que os perdeu. É a cabala que para a guerra e nos faz refletir sobre quem fomos, quem somos e quem precisamos ser, sem permitir que outro Numara nos leve à destruição em uma noite enluarada de Anodaê.

- “SE TODOS OS MESTRES DESTE AMANHECER FIZESSEM UMA ESCALADA POR MÊS, NÓS ESTARIAMOS FLUTUANDO!” (Tia Neiva)

Salve Deus!

Conhecendo Pai João de Enoque - 01

Até pouco tempo atrás eu era muito “cabreiro” com Pai João. Tinha medo de encontrar com ele. Parecia que de algum modo já pressentia que nosso encontro daria para uma guinada em minha vida.



Desde meus primeiros passos na Doutrina já ouvia: Paio João é razão! Com ele não tem moleza! É o executivo de nossa Corrente nos Planos Espirituais, zela pelo andamento dos nossos trabalhos.



Nas leituras também podia encontrar passagens que me deixavam ainda mais receoso deste encontro...



Para terminar de deixar-me ainda mais cabreiro, meu primeiro encontro com ele foi justamente em um trabalho de Julgamento, em minha primeira prisão. Ao passar por ele, no momento de retirar a ataca, ele ergueu a mão e disse: “Meu filho, continue lutando pela sua libertação!”.



Pronto! Já tinha sido uma semana em que tudo que podia dar errado, tinha acontecido, e chega na hora da libertação, vem uma mensagem destas??? Senti-me preso de novo... Ai meu Deus!



Passaram-se muitos anos até que tive um novo encontro. Não vou dizer uma oportunidade, porque oportunidades forma muitas, em vários Alabás e outras situações, mas eu preferia ficar “de longe” observando...



Mas o quê verdadeiramente importa é contar que meu encontro com a razão e a disciplina de Pai João acabou inevitavelmente acontecendo. É uma história que pretendo ir contando aos poucos, mas que desde este primeiro momento posso afirmar: Foi muito difícil! Mas valeu a pena! Conhecer esta Entidade que vela pelos nossos Trabalhos e cobra a disciplina em nossas ações. Somente quando verdadeiramente nos comprometemos com o Trabalho Espiritual é que a modificação se passa em nossa vida de uma forma irreversível, sem mais possibilidades de questionar o porquê dos fatos, apenas interpretá-los sob a luz da consciência despertada.



Kazagrande



Pérolas de Pai João sobre: Responsabilidade!



Filho, procure dialogar com o Aspirante, sem intrometer-se em sua vida particular, ensinando-o a respeitar a família - não o documento de casamento. Seja humano acima de tudo, pois a religião consiste em respeito moral. Respeite uma mulher. Se não houver respeito ou se desrespeitar uma ninfa, é como desrespeitar toda a guarda de Pai João, é tê-lo no seu calcanhar, o que não é bom, porque eles não nos castigam, porém nos deixam à mercê de nossos carmas!           Tia Neiva em 13 de setembro de 1984



Pai João de Enoque chegou de mansinho:



- Fia, os Espíritos do Astral Inferior gostam de se aproveitar dos grandes médiuns quando estes estão descontrolados pelo efeito de irritações e outras perturbações. Você tem que ser diferente, fia!        (Sob os Olhos da Clarividente)



No descortinar da minha mediunidade, minha instrutora - Mãe Yara - não me deixou cair no plano de muitos, e me advertia a toda hora. Eu podia sofrer, mas Mãe Yara e Pai João não me deixavam sem aquelas reprimendas. Não tinha importância que eu sofresse, desde que minha obra seguisse seu curso normal e eu fosse verdadeira.          Tia Neiva em 27 de abril de 1983



Meu filho Jaguar, não devemos pesar os nossos dores e não vamos dar explicações, uns para os outros, daquilo que fizemos ou adquirimos. Cada um procure saber o que adquiriu, consigo mesmo. Meu filho, esta é a nossa primeira aula, e vou procurar deixar, em cada uma, uma passagem escrita. Cuidado, filho! Lembro-me de uma vez que, ali nas imediações do IAPI, curei uma mulher que também sangrava muito e, ao chegar em casa, eu comecei a falar para uma porção de motoristas sobre o que fizera, quando Pai João de Enoque chegou ao meu ouvido e me alertou: “Fia, cuidado! Estás conversando muito... Próxima de você tem outra mulher com um problema semelhante e, talvez, você não a possa curar... Essa não é a sua especialidade. Sua especialidade ainda é a Doutrina, e não lhe foi entregue ainda um Mestre!” Isso aconteceu em 1959.”          Tia Neiva em 31 de julho de 1984



- Sim, Neiva, um sacerdote tem a situação parecida com a do Doutrinador em nossa Ordem. Se um Doutrinador cometer um erro num trabalho mediúnico, ele arca com as conseqüências, principalmente com relação aos obsessores.           (Sob os Olhos da Clarividente)



- Foi o caso de um casal, o marido Doutrinador e a esposa médium incorporadora. Num dado momento, ela começou a profetizar e o Mário, em vez de cumprir seu dever de Doutrinador, permitiu que ela continuasse profetizando, deixando o esposo na crença de que se tratava de comunicações positivas. O resultado foi o mais triste e, agora, o Mário arca com o ônus do erro cometido. A médium exerce, sobre ele, terrível possessão, e até que se esgotem as energias negativas desse ato, ele terá que sofrer!         (Sob os Olhos da Clarividente)




Pai João interferiu, dizendo: “Jurema, a concepção da morte resulta de um entendimento da vida completamente errado, porque, na verdade, a morte jamais existiu! O espírito não morre. Então, o feitor irá mil vezes nos tentar. Matando-o, ele ficará mais leve, mais sutil. Todos os que se perdem pelo pensamento e se enchem de ódio, ao desencarnarem, já no astral inferior, evidentemente, voltam, sendo mais comuns as suas crises furiosas. Vamos, Jurema, tentar doutriná-lo antes que morra e se torne invisível aos nossos olhos...” Foram à cabana do feitor, encontrando-o esticado numa cama de varas e capim. Sabina veio ao encontro deles, toda sorridente, e o feitor começou a praguejar enquanto Pai João lhe fazia a doutrina, temeroso de Jurema, que tudo observava, com seus olhos verdes amendoados. Pai João deixou escapar para o feitor: “Pobre Imperador!      Tia Neiva em 7 de março de 1980



“Pai Zé Pedro e Pai João, com a missão precisa de agir dentro deste povo africano, são os únicos que podem traduzir a Lei que coordena, no limiar do cosmo, o Adjunto Jurema.”       Tia Neiva em 7 de setembro de 1977

O EMPLACAMENTO DO APARÁ


Sim, meus irmãos! Como é difícil sentir-se digno de ser um receptáculo da majestade divina! A consciência que tanto os protege na incorporação, também fomenta a dúvida e aumenta ainda mais a já tão grande responsabilidade.

Visando trazer um pouco mais de esclarecimento para este tão extenso tema, volto a tecer alguns comentários sobre o desenvolvimento do Apará.

É preciso todo o carinho e segurança ao tratar com estes médiuns responsáveis pela Voz Direta. Principalmente com os Ajanãs, que por sua condição masculina e predisposição natural a liderança, sentem-se inicialmente confusos com sua tão distinta participação em nossa Doutrina.

O Doutrinador tem a função de comando, de dirigir e expandir seu espírito científico, mas o Ajanã foi poupado da responsabilidade dos comandos para carregar em suas costas unicamente a missão que lhe é confiada. Não necessitando se imiscuir em outros problemas. Deve ter a tranqüilidade de não precisar preocupar-se com todo o restante, vai ao templo apenas para transmitir as mensagens do céu e ser o portador do equilíbrio vindo da espiritualidade Maior. Por isso o grande risco de desarmonizar um Ajanã, que Tia tanto recomendava.

Suas dúvidas, quase todas decorrentes de sua responsabilidade e consciência, por vezes atrasam seu desenvolvimento, e mesmo depois de emplacados ainda sentem certo receio de ir aos Tronos. Não por não confiarem em suas Entidades, mas sim por muitas vezes não se considerarem dignos ou capazes de tão grandiosa missão.

Para que um Ajanã seja formado e desenvolva verdadeiramente todo o seu potencial, é preciso muito carinho, compreensão e segurança dos Instrutores. Explicar claramente que o primeiro passo é sempre dele, que a Entidade o respeita profundamente e jamais irá tomar uma posição agressiva fazendo com que ele incorpore! Só vai incorporar se quiser, se sentir seguro. Os movimentos, as primeiras saudações e palavras, são claramente inspiradas e saem pela vontade do Apará.

Incentivar o médium a soltar a voz é fundamental! Nem que seja para repetir durante toda a incorporação no desenvolvimento apenas “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”. A energia do aparelho deve ser liberada para que possa ser manipulada.

Muitos médiuns de incorporação, ainda em desenvolvimento, se calam por ouvir somente em sua cabeça a mesma frase. Mas isso é parte do desenvolvimento! A Entidade o inspira a repetir constantemente a mesma frase ou saudação para que emita a energia que está acumulada e precisa ser manipulada. É isso! Sim, é necessário que o aparelho fale! Jamais um Instrutor pode questionar porque a Entidade só diz a mesma coisa, isso faz parte do processo. A energia emitida é trabalhada pela Entidade em favor do próprio aspirante.

Dizer o nome da Entidade, no início, por vezes também é fator de preocupação desnecessária. Normalmente o primeiro nome que vem na cabeça é o nome projetado pela Entidade. Lembremos que a entidade se apresenta em uma roupagem, e o nome pertence a esta roupagem que ela está usando. Muitos espíritos que se apresentam como Pretos Velhos, nunca tiveram uma encarnação como escravos. São mentores de luz que “vestem” esta roupagem, característica de nossa Corrente, para se apresentarem em conformidade com nossa leis. Portanto não há nenhum dano se você disser o “nome errado”. Seu mentor já superou há muito tempo a fase da “mágoa”. Ele estará a sua disposição, e se necessário, outro nome virá mais tarde, às vezes somente na hora do emplacamento é que vem um nome diferente, e por vezes com o mesmo tônus energético.

As primeiras mensagens são realmente difíceis! Parecem vagas, um tanto superficiais, e muitas vezes acabam novamente gerando dúvidas no Apará. A missão do Instrutor é esclarecer que isso também faz parte do processo natural de desenvolvimento. Seria maravilhoso poder incorporar e já sair dando aquelas maravilhosas mensagens que lemos nas cartas de Tia Neiva, ou ouvimos em gravações. Mas tudo isso é um processo de confiança e entrega. A Entidade, além de usar sua energia para realização do trabalho, também tem eu adaptar-se a sua mente, aos seus conhecimentos, para inspirar as mensagens de acordo com sua possibilidade inicial. Caso chegasse aos seus ouvidos uma mensagem com palavras eruditas e desconhecidas para você, será que teria coragem de falar o que você não conhece? Não questionaria se aquilo não é interferência? Pois bem, sabendo disso, as Entidades usam palavras que provem de sua mente. Isso inicialmente, pois com o tempo, com a sua segurança e confiança, passará a receber mensagens cada vez mais elaboradas e que só serão compreendidas pelo próprio paciente e pelo Doutrinador.

Resumindo... Solte a voz, libere-se dos preconceitos, medos e orgulhos! Quando estiver desenvolvendo não tenha medo de nada, erre se necessário for, mas não deixe de seguir a intuição. Caso fale alguma saudação que não seja condizente, ou dê o nome de uma entidade que soe estranho demais para nossa Corrente, receberá a orientação para que na próxima vez também atente para este pequeno detalhe. Está em desenvolvimento e são naturais as confusões até mesmo sobre a energia que está presente. Um Preto Velho batendo no peito igual ao Caboclo... Sim, os dois, Preto Velho e Caboclo estão ali presentes e o médium em desenvolvimento capta as duas vibrações e ainda não consegue separá-las, então acontece.

Para maior conforto ainda... Observe o desenvolvimento de um Doutrinador: Quantas vezes têm que repetir o passe magnético para que acertem? E quantos ainda acabam errando justamente na hora do emplacamento? O Apará também tem suas dificuldades e vai errar no principio como qualquer aspirante.

Kazagrande

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Pai João – A Peneira – parte 02

domingo, 21 de fevereiro de 2016 - 3 Comments


Venho lhes pedir uma vez mais para que não julguem jamais aos seus irmãos! Ninguém sabe o quê se passa na consciência de cada um. Não se pode determinar o certo e o errado apenas pelo que acreditamos ser certo. Quantas vezes cada um de vocês já mudou de opinião? Lembrem de vosso passado recente! Porque se pudessem recordar das outras vidas teriam tanta vergonha que não poderiam enfrentar sequer vossos familiares. Deus dá o dom do esquecimento para nosso benefício! Mas também desperta nossa consciência para podermos entender que as falhas do próximo não são diferentes daquilo que ocultamos em nossos pensamentos.

Nosso Amado Jesus falou que não pecamos apenas por ações, mas que nossos pensamentos igualmente nos fazem culpados. Disse isso porque a cada pensamento uma energia se desprende e vai de encontro aos nossos desafetos, provocando a dor, o mal-estar e por vezes alimentando um cobrador que pode passar a ter forças para provocar uma desgraça. Meus filhos, não aumentem seus karmas! Não alimentem vibrações! Vocês são Iniciados de uma Corrente Fidalga como Neiva dizia, não envergonhem seus mentores com julgamentos sabendo tudo que passa em suas cabecinhas.

Meus filhos, tanto falam na peneira a que me referi há muito tempo...

Uma peneira não é apenas para separar as impurezas, na maioria das vezes separa a matéria mais bruta, que ainda pode ser aproveitada, mas que não está no ponto de passar para uma nova etapa. Todos estão a caminho e isso é o que mais importa. Alguns grãos de farinha não passam na peneira porque ainda não foram bem refinados, mas ainda são farinha e ainda serão aproveitados. Cada um no seu tempo.

Não tem um tempo para a tal peneira acontecer. Ela já está presente, pois todos já receberam os ensinamentos. Quem entende e desperta segue para a próxima peneirada, os outros ainda ficam se remoendo com seus destinos kármicos.

Seta Branca afirmou que os restos kármicos seriam prescritos pelo vosso trabalho. Mas não tem como deixar de lado as dívidas provocadas por sentimentos que ainda não dominaram.

Por isso, meus filhos, abandonem o julgamento, a maledicência, a fomentação de pequenas maldades, recordando sempre que o negativo de hoje será o mal de amanhã. A energia emitida jamais se perde: ou atinge seu alvo, ou volta para quem emitiu.

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Obs.: A parte 1, da gravação está muito danificada, aos poucos vou tentando recuperar.

Kazagrande

Sentimentos


Em nossas vidas as emoções trazem as maiores provações para o espírito encarnado.

Se observarmos com atenção iremos verificar que a maioria absoluta de nossas aflições somente acontecem no plano mental/emocional. Sofremos por antecipação qualquer situação que consideramos negativa. Nos apegamos a pessoas, a coisas, a desejos... e não percebemos que todo apego nos faz sofrer!

Nossos sentimentos de posse, de amor obsessivo, nossas fantasias, tudo conduz a expectativas que nem sempre podem ser realizadas pelo simples motivo de envolver o sentimento e o processo criativo de outras pessoas.

Cada um tem sua jornada na própria Individualidade! Não sabemos sequer do planejamento de nosso próprio espírito, que tantas vezes contradiz a conduta de nossa Personalidade atual, portanto não há motivo racional para sofrermos com frustrações trazidas pelo comportamento de outras pessoas, cujo planejamento pode estar ainda mais distante do que imaginamos.

Uma das máximas deixadas por Tia Neiva era que jamais deveríamos escravizar sentimentos! E muitos não entendem o sentido desta afirmação. Escravizar sentimentos é usar subterfúgios para ter junto de nós pessoas que desejamos.

Tantas vezes usamos desculpas e justificativas para manter relacionamentos, por diversos interesses. E isso não está correto! O amor verdadeiro é livre  e existe por existir, não por “algum interesse”.

Pior quando médiuns usam sua posição para criar ansiedades, expectativas... Sendo bem claro: Quando em uma incorporação surgem comentários inúteis, ou quando um Doutrinador, dotado do poder de persuasão, coloca-se na posição de que “sabe das coisas”. Estes tipos de “videntes” são os médiuns que normalmente perdem toda sua encarnação.

Não existe porque uma Entidade de Luz sair revelando fatos de um passado longínquo para criar ligações afetivas entre o Apará e o Doutrinador, ou paciente. Tudo que um Mentor diz deve ter utilidade! Eles não vêm para brincar de faz de conta. Trazem Luzes do Céu, semeando a esperança no coração dos que recebem a mensagem, jamais ansiedades e desejos de “saber mais”. Qualquer revelação é rara e deve ter uma utilidade prática real, ou... não é da Luz! É interferência ou mistificação.

Não tem super-doutrinador-vidente! As revelações de um Doutrinador são intuitivas e somente para ele mesmo. Sair falando demais e semeando expectativas, ou tentando conseguir “aproximações afetivas” usando a Doutrina ou sua habilidade de manipular as palavras... Salve Deus! Como o preço é alto... Normalmente muitos e muitos séculos de solidão em um etérico sombrio ou em encarnações isoladas.

Excluindo estes “falsos profetas”, nos resta buscar o controle e a liberdade de nossos sentimentos. Amemos por amar! Amemos com um pouco mais de pureza, sem tantos desejos... Ter uma pessoa ao lado para compartilhar nossas fantasias é algo que todos querem, mas não precisa apego e obsessão. Liberte e seja livre!


Kazagrande

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