sábado, 9 de janeiro de 2016

Abandonando a missão


Eu gostaria que vocês conhecessem a historia de um missionário, que num certo dia resolveu entregar a sua missão, e num caminho feliz de suas intuições, acabou por descobrir uma estrada nova; um novo caminho; um novo horizonte.

Ele era um doutrinador, que havia começado a sua vida mediúnica três anos antes desta inesperada decisão. Antes de ingressar na vida missionaria, e colocar as suas energias a serviço do bem, tinha muitos conflitos pessoais, crises e variações de humor que nenhum médico ou terapeuta havia conseguido resolver. Vivia a tomar medicamentos para dormir e antidepressivos, mesmo sem ter nenhuma “visível” dificuldade.

Pouco depois de iniciar a sua trajetória como doutrinador, já se via liberto de muitos destes medicamentos, e antes, era inimaginável a conquista desta libertação. Mas por alguma razão, que ele mesmo desconhecia, o seu trabalho, após três anos de caminhada, parecia não mais lhe servir, e novamente aquele vazio veio tomando lugar em seu peito. Quanto mais ele se dedicava ao trabalho, menos aparecia a solução as suas crises. Muitos eram os conflitos emocionais e materiais. Até que um dia, cansado de esperar, ele entregou os pontos. Era um dia chuvoso no templo e já passavam das 23 horas, muitos médiuns já encerravam os seus trabalhos para retornarem as suas casas. Ele procurou cumprir o roteiro que havia aprendido três anos antes. As palavras de Pai Seta Branca soavam frescas em sua mente:

“O dia em que as forças lhe faltarem, entregue as suas armas e nada lhe acontecerá!”.

Então assim ele fez. Dirigiu-se a imagem de Pai Seta Branca, ao centro do templo, e proferiu uma prece de despedida ao Cacique Tupinambá:

- Querido Pai! Venho nessa hora triste de minha vida, entregar-te as minhas armas. Não quero ser mal interpretado, nem quero que pense que estou sendo ingrato, pois muito o senhor fez por mim estes anos, mas não me sinto mais parte desta missão. O trabalho já não me ajuda mais como antes, e me sinto cada vez mais vazio. Por respeito e gratidão a tudo que fizeste por mim, meu Pai Seta Branca, eu veio aqui deixar as consagrações que tu me destes. Após sair daquela pira, depois de encerrar o meu trabalho, sei que não serei mais um missionário seu, mas o senhor estará sempre em meu coração como o meu pai. Obrigado por tudo! Que Jesus ilumine cada vez mais sua obra!

Com os olhos cheios de lagrimas, e o coração cheio de dor, ele se virou para se dirigir a pira, quando se deparou com uma médium apará, que portava apenas uma plaquinha em seu peito com o seguinte nome: Vovó Catarina do Oriente. A médium se dirigiu a ele, convidando-o para ir aos tronos. Ele relutante, se negou, com argumento que teria de ir embora, mas ela insistente o pediu novamente:

- Por favor, mestre! Eu comecei a desenvolver há pouco tempo, e não me sinto bem. Já não tem quase nenhum médium dentro do templo, e nem paciente também, só para que eu possa manipular um pouco! Por favor!

Quando ele leu em sua plaquinha de identificação, a preta velha a qual ela havia sido emplacada, foi uma feliz surpresa pra ele. Anos antes, no inicio de suas aulas de desenvolvimento avançado, ele havia passado com aquela preta velha, e recebido uma linda mensagem, a qual ele nunca tinha esquecido. Em belas palavras ela disse a ele o quanto ele seria feliz naquela jornada, mas que tudo dependia exclusivamente dele. Ao se recordar, resolveu então aceitar o convite, daquela recém-chegada e ir aos tronos, mas convicto que aquela seria a sua ultima oportunidade dentro da casa do pai.

Logo que se sentou e se concentrou para dar inicio àquele trabalho, lhe chamou a atenção uma criança sentada no banco dos pacientes. De longe ele fixou o olhar naquela criança, que logo em seguida o iluminou a alma inteira com um belo sorriso. Foi como um banho de puras energias, em que todas as suas aflições e medos, naquele instante, simplesmente sumiram, apenas uma paz era sentida em seu coração a partir de então. Logo após a identificação da entidade que havia incorporado, confirmando a presença daquela tão querida vovó Catarina do Oriente, ele recebeu a seguinte mensagem:

- Meu filho, salve Deus! Com a sua permissão, irei manipular em favor deste aparelho.

Imediatamente concordando com aquele pedido, e com muita paz no coração, ele aguardou pacientemente trinta minutos de manipulação, entre saudações de forças e passagens de irmãos sofredores. Em pensamentos ele havia feito uma constatação: aquela era a forma que Pai Seta Branca havia arrumado de lhe mostrar que aquela decisão seria a melhor, confirmando a sua ideia de que ele realmente não fazia mais parte daquela missão. Então aquela vovó, com a simplicidade luminosa de uma preta velha, o indagou:

- Meu filho! Há alguma coisa que eu posso fazer pelo meu filho?

Com um sorriso no rosto ele respondeu:

- Não vovó! Eu já confirmei uma questão que eu tinha!

Então ela insistiu:

- E que questão é essa meu filho? Meu filho pode dizer?

Meio sem jeito, mas ainda tranquilo, ele tentou resumir:

- Claro! Hoje eu me despedi da minha missão vovó! E a paz que eu consegui alcançar, só de sentar ao seu lado, me demonstrou que realmente tomei a decisão certa.

- Graças a Deus, meu filho! Mas será que essa nega velha, pode lhe dizer algumas palavras, antes que meu filho se vá?

- Claro, vovó! Fique a vontade, é um prazer escuta-la!

- Graças a Deus, meu filho! São muitas as forças do meu filho; é imenso este coração que carregas no peito filho. É uma pena que isto, muitas vezes, não seja o suficiente nesta jornada terrena. São muitas as expiações e provas desta caminhada, é preciso muita vigília para não cair nas armadilhas do caminho. Meu filho sentiu-se em paz, graças à presença de Janaina, a sua princesa, que veio pessoalmente traze-lhe esta rosa, a qual eu coloco em suas mãos. Mas não é uma rosa de despedida meu filho. Sua princesa me incumbiu de lhe esclarecer de algumas coisas, mas eu preciso lhe perguntar meu filho, é da sua vontade escutar essa humilde nega velha?!

- Claro, vovó!

- Graças a Deus, meu filho! Fico muito feliz por esta feliz oportunidade, em que nos concede o grande Simiromba de Deus! Meu filho tem se queixado de suas forças; de que não alcança mais a realização que antes alcançava; e que por isso crê que não faz mais parte desta missão não é meu filho?! Graças a Deus! Meu filho se lembra de como a paz era presente no coração de meu filho; e de como as coisas se clarearam na vida de meu filho, desde que começou a trabalhar?!

Surpreso com tantas afirmações assertivas, o doutrinador confirmava e cada vez mais se mostrava interessado no que dizia a preta velha, que prosseguiu:

- Graças a Deus, meu filho! Eram as suas conquistas meu filho. Nada é de graça ou dado nesta missão, porem, tudo é permitido pelo pai Seta branca e conquistado pelos os seus missionários. Meu filho quando começou nesta jornada, veio com muitas feridas, muitas cicatrizes das tristes e solitárias caminhadas, daqueles que não conhecem o amor de nosso senhor Jesus Cristo. Logo que aqui chegou, meu filho já se sentiu em casa, pelo seu transcendente, pois você é um Jaguar meu filho! Demonstrando total interesse e simplicidade, meu filho seguiu atento a tudo que lhe ensinavam. A cada dia o meu filho crescia mais nesta missão, se preparando e atendendo, cada vez com mais amor em vosso coração. Meu filho não tinha olhos para outra coisa, que não fosse aprender a trabalhar nesta casa. Isto foi a sua grande conquista meu filho! O que te fez neutralizar a dores do teu carma, e tão eficientemente, esclarecer o teu espirito. Mas com o passar do tempo, o meu filho caiu na grande armadilha do orgulho e da vaidade. O meu filho, na ideia de que já era um “grande” mestre, achou que não tinha mais nada a ouvir ou a aprender. Sempre que adentrava um trabalho em suas oportunidades, ao invés daquela vibração de amor e cumplicidade pelos seus irmãos, o meu filho agora carregava a arrogância de um fiscal, que vivia a avaliar e julgar os erros alheios. A carne é fraca meu filho! Se dedicares a tua vida a procurar nos teus irmãos os erros, nunca terminará a tua busca, pois ela será tão infinita quanto o universo. Quem vê nas pessoas, o que de ruim elas possuem, não consegue enxerga o que de bom é vivo dentro delas. A grande arma de um missionário é a sua humildade; sua maior força é o amor; o seu segredo é a tolerância. O conhecimento, tão somente, não é suficiente para a conquista da evolução meu filho. É preciso amor! Existem milhares de espíritos, altamente conhecedores da magia e da ciência, que não aceitam a lei universal do amor, por acreditarem que se submeter ao sistema de Cristo é uma demonstração de fraqueza. Mal sabem eles meu filho, que aceitar a lei de Cristo é aceitar o amor, e assim, buscar em si mesmo o melhor; oferecendo ao universo as suas boas vibrações. Muitos filhos de Pai Seta Branca pendem consagrações, e elas veem, mas não conseguem carrega-las e acabam por cair. Ser um grande missionário vai muito além de estar dentro do templo uniformizado, ou cheio de obrigações; ser um missionário é verdadeiramente ser um escravo do amor. Ficar em silencio em meio a uma discussão; ou perdoar os erros dos seus irmãos, não é uma fraqueza, e sim, sua maior força meu filho. Não se perca de Cristo nesta jornada, pois Cristo não quer ser o seu Deus, mas o seu guia, até que possas se guiar sozinho em meio à escuridão do medo e da solidão. Meu filho! Quanto maior for a patente de um homem na terra, menor tem que ser o seu ego, pois é pelo ego que os grandes manipuladores, do mundo da escuridão, pegam os que se destacam. Seja simples! Pois simplicidade é um escudo para a vida na terra.
- Meu filho recebeu esta orientação, desta nega velha, a pedido de sua princesa, que neste momento coloca em suas mãos o teu destino. Se meu filho ainda desejar seguir a tua decisão, o fará com as bênçãos do Pai. Se caso o meu filho achar por bem repensar esta decisão, sua princesa manda lhe dizer que muitas serão as realizações que trará a terra o seu amor. Você só precisa decidir o que quer meu filho; ou estamos servindo ao amor, se alimentando do perfume da flor, ou estamos nos arrastando, colhendo os espinhos da dor.

Salve Deus!
Autor desconhecido

* Os textos em “itálico” são as falas de Vovó Catarina do Oriente
* Procurei bastante encontrar o autor deste texto que recebi em formato de áudio, mas não encontrei.

Kazagrande

9 comentários:

Vejo essa historia como a de uma pessoa que passa por situação semelhante, e exatamente hoje conversarei com ela a respeito. Essa carta abriu minha mente de que forma chegar e conversar. salve deus

AS pérolas que nos chegam na caminhada. Salve Deus!

Salve Deus!
Como somos falhos e sem confiança na espiritualidade maior..., por muitas vezes não temos forças diante de tantas adversidades da vida terrena, essa mensagem nos faz entender o quanto precisamos nos fortalecer na fé em Cristo Jesus e em Pai Seta Branca que nos assiste em todos os minutos de nossas vidas. Salve Deus!

salve deus salve os pretos velhos benditos!

Abandonando a missão....Salve Deus! Grandioso texto....Mas sinto em meu coração que o texto cabe...aos que acham que a missão esta sendo cumprida fechando as portas da casa do PAi SETA BRANCA, aos seus missionarios que não estão preocupados com SIGLAS!MAS SIm, EM, EMANAR CURAR E ELEVAR ESPIRITOS PRA DEUS!

Salve deus! Adorei a msg pra mim tb serve a mm tenho pensado desistir ainda estou no inicio mas com esta leitura mais garra me da e ser tolerante viver para dar amor e nao arrogancia

Salve vovó Catarina,é uma dádiva ouvir as suas mensagens,eu lhe agradeço pela ajuda que me tem dado,obrigada.Salve Deus meus irmãos Jaguares,não caiam na tentação de perderem as vossas caminhadas e para aqueles que estão no processo de Ascenção e que já conhecem alguns familiares espirituais tenham coragem liberdade e caridade,porque eles estão aguardando a vossa chegada àquela dimensão onde eles estão,caminhem sempre na luz do nosso Amado Mestre Jesus para que sejam merecedores de subir ao maravilhoso mundo espiritual. Boa caminhada e Boa sorte para todos. Salve Deus

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