TIA NEIVA

TEU PADRÃO VIBRATÓRIO É A TUA SENTENÇA

O CENTURIÃO

Todos os direitos autorais e edições impressas doadas à Doutrina do Amanhecer.

ADJUNTO ANAVO

MESTRE KAZAGRANDE

PÉROLAS DE PAI JOÃO

Todos os direitos autorais e edições impressas doadas à Doutrina do Amanhecer.

MINHA MISSÃO É MEU SACERDÓCIO

EXÍLIO DO JAGUAR - KAZAGRANDE.

sábado, 27 de abril de 2013

Os Encantos do Alabá

Alabá que dizer “Peço licença para entrar no seu Aledá”. E assim devemos nos sentir, ingressando no Aledá, na presença dos Cavaleiros da Luz!

Sua realização é grandiosa, uma grande corte espiritual se desloca para atender mestres e ninfas, que de indumentária, incorporam suas entidades, buscando harmonizar e reequilibrar o plexo do pacientes. Dado a grandeza das energias manipuladas, da ausência de passagens de espíritos sofredores, pelo Reino de Zana representado nas indumentárias, pela invocação dos Cavaleiros da Lança e da Luz, o benefício aos mestres e ninfas, que participam, é uma “recarga” completa! Não há como sair de um trabalho de Alabá sem sentir sua tônica revigoradora, que traz paz e equilíbrio também ao plexo físico. As emissões e o grande deslocamento de energia espiritual, formam uma rede magnética que recolherá todos os vestígios negativos removidos durante a execução do trabalho.

O ritual consiste na formação de uma elipse no lado externo do templo, após as seis da tarde, na força da Lua Cheia, com cadeiras próprias, onde irão incorporar os ajanãs e ninfas. Os doutrinadores(as) realizam suas emissões e cantos de acordo com a chamada do comando, enquanto as entidades atendem aos pacientes, que neste período podem passar em mais de uma entidade, se assim desejarem. As informações completas da organização e comando estão no Livro de Leis.

Para participar deste trabalho, realizado somente em templos com Corrente-Mestre, os doutrinadores(as) deverão já ter suas emissões e cantos devidamente outorgados pelos Devas, portanto, somente centuriões consagrados dispõe desta condição. Para os ajanãs e ninfas, que não vão emitir, a condição do segundo passo iniciático é aceita. Exceto o Comandante, todos podem participar com a indumentária de prisioneiro(a).

Nos dias de chuva este trabalho poderá ser realizado em um local coberto, desde que não seja no interior do Templo.

É importante a presença de um Recepcionista, ou mestre escalado, para a coordenação dos atendimentos. Pois cabe a este também, velar para que ninguém tire a concentração dos Cavaleiros das Lanças, que estão representando os Cavaleiros da Luz e devem manter concentração total durante o trabalho, vivenciando cada emissão e canto que formarão a rede magnética.

No início houve a realização do Agamá, realizado diante da porta do Templo, com Aparás e Doutrinadores formando dois “V” entrelaçados. Formados os médiuns, o Mestre Reino Central fazia sua emissão e o canto. Depois o Mestre Vancares e as que ninfas faziam suas emissões em conjunto. A seguir, incorporavam os Abnegados Pretos Velhos, e o Ajanã, ao centro, incorporava o Ministro. Os mestres faziam suas emissões e emitiam mantras. Os pacientes tomavam passes, nos projetores. Depois de algum tempo, o Reino Central encerrava, agradecendo a presença do Ministro e a dos Pretos Velhos. Emitia a Prece de Simiromba e a formação se desfazia.

Como os pacientes desejavam consultar os Pretos Velhos, não se conformando em somente receber o passe, o trabalho foi suspenso e modificado pela Espiritualidade, transformando-se no Alabá algum tempo depois.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Pérolas de Preto Velho


Meu filho, lá nos planos espirituais, aonde você muitas vezes vai quando dorme, mas ao acordar não lembra, existe uma grande família espiritual a lhe esperar, velar e torcer por você. Quebre a barreira vibracional com sentimentos e pensamentos elevados, levando seu coração até eles. Mate a saudade espiritual que existe dentro do seu peito. Deixe a intuição fluir. Os mentores não são mestres intocáveis que vocês devem reverenciar, mas sim, são amigos de jornadas. Conheça-os, trabalhem juntos e se alegrem juntos. Eles estão te esperando.


Mediunidade é uma missão importante, mas não diviniza e nem inferioriza ninguém. Vocês sabem disso. Tem gente que pensa que ser grande médium é praticar fenômenos para “incrédulo ver”, fazer profecias e escravizar sentimentos. Outros pensam que é se vestir todo com uma fantasia e das vazão às suas próprias emoções, gritando e batendo, fazendo o sofredor sofrer ainda mais com suas energias. Não! Mediunidade é trabalhar com respeito! Com o mesmo respeito que um Preto Velho chega até você, sutilmente... É trabalhar em parceria com os amigos do lado de cá para o bem de todos, apenas isso. Vocês complicam muito as coisas. Na verdade tudo é muito simples. Pense na manifestação de uma Sereia, emanando e curando. Existe algo mais simples e de mais grandiosidade que a manifestação de uma Sereia?


Parem de julgar a manifestação mediúnica ou a experiência do outro. Você pode até não concordar, mas caso para ele faça sentido, deixe. Cada um tem sua evolução e vai aprender... Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece! Isso lembra muito a postura daquele que não consegue fazer melhor e por isso mesmo vive a criticar e apontar o defeito dos outros. Meu filho, alguns fazem questão de incorporar Pai João de Enoque, mas em Cristo Jesus afirmo a você que a maioria das vezes que Pai João chega em um Trono, ele vem com outro nome para não melindrar os médiuns, porém sua sabedoria e sua energia é a mesma. O quê realmente conta é o seu dia a dia, como pessoa comum, passando pelo crivo do grande mestre que é a vida. Não adianta nada trabalhar muito espiritual e viver mal com sua família, com seus colegas... Tem que aprender a viver lá fora do mesmo jeito que procura trabalhar no Templo, praticando a humildade, tolerância e amor.


Fazer caridade é muito bom. Se, além disso, der exemplo no seu dia a dia com seu comportamento, melhor ainda. Tem gente que acha que doando uma cesta básica de Natal ao desencarnar será “salvo”. Outros ainda se acham muito especiais e caridosos, verdadeiros missionários... Não caiam nessa bobagem. Saibam que, em verdade, ao auxiliar os outros vocês ajudam a si próprios. E quando fizer a caridade, também não apenas dê o peixe, ensine as pessoas a pescarem. “Caridade de consolação” ergue a pessoa, mas depois que ela já está de pé, está na hora de ensiná-la a andar, com a “caridade de esclarecimento”. Pensem nisso! Caridade, faça sempre que surgir a oportunidade de auxiliar o irmão. Esclarecimento leve a todos os lugares, fazendo a sua aura brilhar e contagiando as pessoas com alegria e vontade de viver.


Trabalho em grupo é coisa séria, deve haver amizade, alegria, mas não é reunião social. Os Mentores escutam os seus pensamentos e não estão nada interessados em suas preferências físicas, nem em suas “paqueras” dentro deste grupo, nem dão importância a isso. Tão pouco são cúmplices das fofocas, guerras de vaidade e ciúmes que existem dentro do mesmo. Um trabalho espiritual em grupo é uma benção e oportunidade única de evolução, tanto de encarnados como desencarnados. Aproveitem bem! Existe um montão de mestres esperando por vocês desse lado, mas muitas vezes eles não conseguem lhes amparar, afinal vocês não param de pensar no “vizinho”, ou como a vida é difícil e injusta com vocês…


Não sejam Jaguares pela metade. Durante o dia vocês ficam pensando em espiritualidade, mas ao dormir, que é a grande hora onde o espírito se liberta do corpo físico, vocês não pensam em nada, ficam com preguiça e logo suas mentes são invadidas por um monte de coisas, adormecendo na mais perfeita desordem. No mínimo orem ao deitar-se. Agradeçam o dia, coloquem - se à disposição do aprendizado, aproveitem as horas de sono. Elas são chaves de acesso ao crescimento espiritual. Meditem nisso.


Do lado de cá nós adoramos música. Ela rejuvenesce a alma, acorda o coração e desperta a intuição. Aproveitem as músicas de qualidade. Elas são ótimas e verdadeiro brilho e alimento para vossos espíritos. Também escutem a música que os espíritos superiores cantam secretamente dentro do coração de cada um. É a música da Criação, ela está em todos, mas só pode ser escutada quando a mente silencia e o coração brilha.


Pensem também na natureza. Coloquem uma música suave. Direcionem-se mentalmente a um desses sítios sagrados, verdadeiros altares vivos do amor de Deus. Pensem na força curativa das matas, na força amorosa e pacificadora das cachoeiras, da limpeza energética que o mar traz ao espírito. Meditem neles. Isso traz sintonia, reciclagem energética e boa disposição. Façam isso por vocês e fiquem bem!


Dedique-se mais ao autoconhecimento. Ele é muito importante. E um dia, mesmo que isso demore milênios, você se conhecerá tanto, que realmente descobrirá sua natureza divina. Nesse dia, as cortinas da ilusão se abrirão e você verá o universo a sua frente. Não vai ver mais nem Céu e nem a Terra, vai enxergar que o Senhor tem o Seu Templo em teu íntimo...

O Mestre Lua!


Quem me conhece pessoalmente sabe do especial carinho que sempre dediquei aos Ajanãs.

Um médium de incorporação deve ser respeitado como nossa capacidade máxima de comunicação direta com os planos espirituais.

Ser Apará é uma missão dolorosamente grandiosa. Ouvir, traduzir conhecimentos e instruções que por vezes ainda são muito difíceis para o próprio médium seguir. Imagine o conflito interior que vive um Apará, que com a voz direta, tem que respeitar seu juramento, passando as instruções para um paciente e que muitas vezes ainda não consegue dominar aqueles mesmos instintos.

O Mestre Lua sofre! Sofre a incompreensão dos Doutrinadores, que por vezes o julgam melindrosos, “cheio de dedos”.

Sofre com a incompreensão de si mesmo. De muitas vezes não se sentir digno da grandeza da qual é instrumento.

Sofre com a consciência da incorporação e as dúvidas que se acercam nesta hora.

Ser o instrumento de uma Entidade de Luz implica em ser o seu ouvido o primeiro a ouvir os conselhos, as orientações, as chamadas à razão...

Absorvendo as energias, ao contrario do Doutrinador que as reflete, seu temperamento se torna mais facilmente variável. Manter o controle em ambientes cujo padrão vibratório geral está comprometido é uma árdua tarefa a cada dia. Por vezes se calam simplesmente porque necessitam controlar seu próprio padrão e sentem as influencias com mais intensidade. Ou ainda se afastam, abandonam simplesmente o lugar onde não se sentem mais a vontade.

Compreender o Mestre Lua é uma necessidade fundamental para os Doutrinadores (as). Ser tolerante nos momentos em que fecham. Identificando que algo não está bem e dispondo-se imediatamente a ajudar na mudança de sintonia.

Ser Ajanã é sentir-se uma sombra em um oceano de luz. É compreender primeiro, aceitar primeiro, ouvir primeiro, tolerar primeiro e nem sempre poder esperar a mesma reciprocidade.

Antes de criticar qualquer Ajanã devemos lembrar que é um Doutrinador que conduz as suas aulas de Desenvolvimento. Que o orienta sobre a conduta, lhe passa as instruções e por fim o libera para o atendimento, quando o avalia pronto!

Esta é minha pequena, mas sincera homenagem a todos os Mestres Lua! Revisando e republicando este texto do início da jornada no Exílio do Jaguar. Escrevo para despertar a consciência da missão grandiosa de ser Mestre Lua! De trazer a voz direta como receptáculo de uma Entidade de Luz! De iluminar, consolar, aconselhar e CURAR!

Kazagrande

O Cacique Guerreiro



Seriam cerca de quatro horas da tarde quando Nestor chegou. O Primeiro Mestre Jaguar costumava sempre chegar à noitinha ou então depois da janta. Nesse dia o “expediente” de Neiva estava realmente cheio. Nestor ficou num canto do “sétimo”, como era chamada a sala-escritório-dormitório de Neiva. Estava realmente difícil conversar com “a chefe” nesse dia. Pessoas entravam e saiam ininterruptamente, apesar do controle dos “porteiros” e da vigilância do seu Mario. Pensava Nestor: esse é realmente o maior problema do Vale. Todo mundo quer falar com Neiva e, apesar da inesgotável paciência dela não consegue atender a todos”. Nisto entrou um casal com aspecto de roceiros e trazendo pela mão uma mocinha de quinze anos, magra e visivelmente doente. Nestor prestou atenção na “consulta” e ficou vivamente impressionado. A mocinha tinha agulhas, pregos e outras coisas de metal que “apareciam” no seu corpo e quanto mais tirava, mais aparecia. Neiva olhou, falou muito pouco, chamou um dos Avaganos que faziam papel de porteiros e mandou que fosse feito um trabalho no Templo.

Despachou os três afirmando que a mocinha iria ficar boa e que os objetos estranhos iriam parar de aparecer. Tão pronto saíram e Nestor perguntou: “Tia, a senhora acha que ela vai mesmo sarar?, e esses objetos, de onde vem?, como pode acontecer?” Magnético animal, fluído, ectoplasma, carma pesado. É isso aí, Nestor. Onde quer que a moça passe os objetos metálicos de pouco peso são atraídos e penetram no seu corpo. Naturalmente existe uma falange de espíritos cobradores ajudando o fenômeno. Mas a base é a mesma de qualquer outro fenômeno ectoplasmático só que agravado. Se conseguirmos aliviar um pouco a carga do magnético ela vai melhorar, se também conseguirmos retirar os cobradores ela pode sarar. Se ela desenvolvesse a mediunidade seria uma grande Médium. Mas não sei, tudo depende do que eles irão fazer com ela depois que saírem daqui. Mas a senhora viu as agulhas no corpo dela?. Vi uma ou duas. Como disse o Mendonça há muito tempo atrás, eu tenho raios X nos olhos. O Mendonça?, quem era ele? Deixe que lhe conto. Certo dia chegou a minha casa a esposa do Mendonça, um dos engenheiros da Novacap e muito meu amigo. A mulher estava com um ar muito aflito e foi logo me dizendo: “Neiva, acho que estou com uma agulha enfiada aqui no braço esquerdo”, e me mostrou o braço que parecia realmente um pouco inchado. Como, disse eu, você disse que tem uma agulha aí? Sim, disse ela, eu estava provando um velho vestido que estou fazendo, senti cansaço e me deitei um pouco e, sem querer por cima do vestido. Estranhamente adormeci, embora tivesse sentido a picada quando a agulha penetrou no braço. Acordei, continuei minhas tarefas e só fui pensar no assunto quando a dor, já de noite. Agora a dor já saiu do braço, está aqui, perto da clavícula e eu estou apavorada. Olhei para o Mendonça e vi que ele também estava preocupado pois conhecia os casos que se contavam a esse respeito; diz-se que a agulha percorre o corpo todo e que quando atinge o coração a pessoa morre. O Mendonça era muito meu amigo. Eu costumava transportar o pessoal da topografia da Novacap e foi assim que nos conhecemos. Quando começaram as manifestações da minha clarividência o Mendonça me ajudou muito, principalmente em relação aos meus filhos. Ele sempre tinha uma palavra de carinho e dava um ar de seriedade onde todo mundo dava apenas palpites e ainda por cima negativos. Ele era espírita cardecista e tinha a mente aberta. Mas o mais importante é que ele acreditava em mim.

“Tia, a senhora deve ter passado por muitas experiências desagradáveis, nesse tempo. Dá para a senhora dizer alguma coisa sobre isso?” Espera Nestor, deixe acabar de contar a estória da agulha. Dei uma olhada na mulher e, mesmo por baixo da roupa, vi a agulha no peito dela, colocada superficialmente. Mostrei o local e eles se encaminharam imediatamente para o hospital. Neiva, disse o Mendonça quando se despediram se cuide bem, você tem um raio X nos seus olhos. Mais tarde me trouxeram a notícia de que a agulha havia sido retirada sem maiores problemas. Com relação as minhas experiências desagradáveis, é verdade Nestor, elas foram muitas. Hoje eu compreendo a tudo e a todos. Mas naquele tempo, realmente as coisas me magoavam. Você pode imaginar. Nestor, eu voltando de um transe em que permaneci totalmente inconsciente, sentir dor no braço e ver que fui queimada com charuto aceso como teste? Mas Tia, eu não entendo, porque haveriam de fazer testes com a senhora; não bastavam as provas que a senhora já dera, como, por exemplo, o caso da agulha? Nestor, meu filho, para você entender o que se passava é preciso que saiba a posição do espiritismo aqui na Brasília da Cidade Livre. Havia alguns terreiros e alguns centros cardecistas e o meu caso, no princípio foi confundido com manifestações umbandistas. Não havia experiência alguma com a clarividência, nem mesmo aquela da parapsicologia que naquele tempo era ainda incipiente no País. Bem, Tia, acho que entendo, aliás, até hoje não creio que ela seja entendida. Sim, Nestor, por aqueles que entram em contato comigo, ela é entendida. Mas você se lembra o que lhe disse no começo de nossas conversas: Não basta a minha clarividência para que o mundo entenda as nossas mensagens; é preciso todo nosso ritual, o colorido, as construções, as iniciações. Naquele tempo, Nestor, ainda havia o agravante da euforia da construção de Brasília, as pessoas aqui estavam na base de aventuras de ganhar dinheiro, de trabalhar, fazer comercio, mudar de vida e de ambiente. Tudo era mais ou menos improvisado, em barracos rústicos e clima de aventura. O espiritismo predominante refletia o ambiente. Eu acho que o Pai quis que fosse assim, para que eu não “nascesse” com vícios mediúnicos que seriam incompatíveis com a nossa missão. Por isso Nestor, você pode reparar que desde o começo as coisas que foram registradas , com as poucas coisas escritas, servem até hoje e todos os registros obedecem a uma linha harmoniosa, nunca tendo havido uma só contradição entre o que foi ensinado e o que está sendo ensinado.

Num certo sentido essas adversidades foram muito boas para mim. Muito cedo eu desisti de querer ser entendida pelos homens e me voltei para os amigos espirituais. Mas a própria missão exigia e eu tinha que me subordinar aos amigos encarnados circunstantes, o que, aliás, me ensinou as principais lições. “Parece Tia, que através do que a senhora está me dizendo a gente pode entender um pouco do que acontece hoje com Médium principiante” Pois é, meu filho, eu estava na maior confusão quando mãe Neném apareceu. Ela era uma senhora, tipo da matrona, daquelas que inspiravam confiança, pela autoridade que exercia. O único problema era sua formação cardecista que não aceitava Pretos Velhos nem Umbanda. Isso me trouxe maior insegurança. Sua primeira medida foi convocar um médium muito conceituado o qual chegou com muita autoridade, na condição de árbitro. Seu nome era Cisenando e tão logo ele se familiarizou comigo condenou as minhas maneiras bruscas de agir e não gostou de certas entidades que se manifestavam por mim. “Neiva, dizia ele, vamos afastar essas entidades, é para o seu próprio bem, vamos fazer uma reparação para você não ficar louca e ir parar num hospício”. Entre as “entidades” que ele pretendia afastar estava o Cacique Guerreiro Tupinambás. Fiquei muito triste quando soube que esse espírito iria subir e lembrei logo de falar com Mãe Yara. Entre as providências que Mãe Neném havia tomado para o meu desenvolvimento, estava a reserva de um canto da casa para os trabalhos espirituais. Dirigi-me para esse canto com a intenção de ouvir Mãe Yara e lá estavam Mãe Neném e o Cisenando. Tomei o maior susto pois percebi que não contavam com minha presença, e o pior é que o Cisenando estava incorporado e, para meu maior espanto, com Mãe Yara! E pela boca desse médium, ela dizia: “Os espíritos de pouco desenvolvimento espiritual, que entram neste mundo, permanecem nas proximidades da terra, na atmosfera densa, na escuridão. Eles são chamados de espíritos sofredores e sua maior função é atrapalhar o trabalho missionário dos trabalhadores da última hora. Neném ensine Neiva a assimilar as suas visões. Faça com que ela retorne a sua segurança, para a grande obra que vocês duas terão que levantar. 

A mente é o reflexo da alma, que é o nosso verdadeiro “eu”. Fez um silencio e continuou: Neném, esses espíritos são de umbanda, tenha todo cuidado. Se for possível volte para Goiânia. Saia depressa sem ser vista. Custei a acreditar no que acabara de ouvir. Meu Deus!, como podia ser, esse espírito que falava tão bem, que já ouvi tantas vezes como Dona Yara ou Mãe Yara e agora se dizia o Amigo de Sempre e falava tão mal, tão negativo, e ainda por cima criticando o Cacique Guerreiro Tupinambás que eu já estava gostando tanto. Na minha insegurança e falta de conhecimento doutrinário voltei a estaca zero. Minha revolta já não tinha limites, me virei contra todo mundo e não sabia para que lado me voltar. Comecei a incorporar sofredores e o pior, você sabe não é Nestor, e o pior era minha inconsciência. “Sim, Tia, sei que a senhora é totalmente inconsciente e que tem até um pedido seu feito ao Pai para que nunca saiba o que saiu pela sua boca. Mas, me diga, além da senhora existem outros médiuns inconscientes?” Nestor, nesse ponto o Tumuchy é intransigente e afirma peremptoriamente que não existe inconsciência mediúnica além da minha. Eu não discordo dele mas não vou tão longe. Acredito que possa haver exceções, pois no mundo de relações entre o céu e a terra tudo é possível. Agora, realmente eu concordo com ele quando diz que o problema é biológico e não moral. De fato, o próprio mecanismo da responsabilidade humana, o ser humano considerado individualmente, não condiz com a inconsciência mediúnica. Em nosso quotidiano nós temos comprovado isso quando vemos até obsediados em fase de convulsões se desviarem de obstáculos, não se machucarem etc.

“Mas então Tia, desculpe desviá-la de sua estória que está muito bonita, mas então como ficamos nisso, qual a nossa atitude diante dos médiuns que dão comunicações e se dizem inconscientes?. Nestor, antes de mais nada é preciso respeitar muito o médium de incorporação, o nosso Apará. Mas, realmente o que acontece é que o médium embora registre, ouça o que ele mesmo está falando, muitas vezes ele se alheia, procura não registrar, evita ser indiscreto, não quer se imiscuir na vida alheia, e acaba por realmente não se lembrar do que falou. Esse é o médium ideal, que segue o conselho de Pai Seta Branca de “comunicar sem participar”. Isso acontece principalmente com médiuns totalmente conscientes como, por exemplo, alguns que você conhece como o de Pai Nagô e Pai Zé Pedro. Bem Nestor, vê se não me interrompe. Tenho medo de não ter tempo de contar a minha história e sei que ela vai ajudar muito a vocês quando eu partir. Eu estava naquela fase triste e sem saber o que fazer, quando, um dia Mãe Yara chegou de mansinho e começou a falar no meu ouvido, e, tão logo eu a vi comecei a me desabafar. Como?! Disse eu, a senhora me disse tanta coisa bonita, me prometeu o céu e agora isso, até o Cacique Guerreiro que eu gosto tanto vocês querem afastar. “Calma, calma, Neiva. Não se esqueça que na vida, quando você está esperando o céu, a terra esta esperando por você. Sim filha, antes de você subir ao céu terá que baixar na terra. Não queira que as pessoas pensem como você. Seja imparcial no seu raciocínio e nada aceite sem entender. Não se esqueça que ninguém possui a verdade total”.

Mas, Mãe Yara, diga alguma coisa sobre esse médium, diga alguma coisa sobre o que eu vi. “Neiva, respondeu ela, você não poderá caminhar sozinha. Dê trabalho aos seus braços. Leve o consolo enxugue as lágrimas dos aflitos, ajude a todos aqueles que caminham ao seu lado, não atrapalhe para não ficar sozinha. Fique neutra em relação aquele assunto e volte à normalidade.” As palavras de Mãe Yara me fizeram refletir muito e passei uns poucos dias sem eclosões. Até que. Certo dia, cheguei a casa e encontrei minha filha, Carmem Lúcia, com um dente inflamado e a boca muito inchada. Fiquei aflita e procurei logo tomar alguma providencia, porém naquele momento alguém me puxou para traz e eu incorporei. Atirei-me contra minha filha, descompondo-a e tentando machucá-la e não sei o que mais, pois perdi os sentidos. Quando voltei a mim e soube o que havia acontecido entrei novamente num terrível conflito. Desta vez a coisa tinha sido muito pior, eu havia atingido a minha filha, que era a razão de toda minha luta, minha vida, meus filhos eram como o sangue que corria nas minhas veias. Mas, na minha vergonha e no meu orgulho, eu, já consciente nos meus sentidos, comecei a maltratá-la ainda mais.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

É POSSÍVEL!


Que o gume desta espada, apontada para o meu peito, fira-me, se meu pensamento se afastar de Ti, meu Pai, ou se eu me envaidecer novamente!

Inicio assim, nosso texto de hoje, porque não posso deixar de compartilhar toda a alegria vivida e um pouco das vitórias desde pequeno Jaguar Exilado.
Meus irmãos, e irmãs, é possível! Sim é possível!

Há pouco mais de um ano, eu não tinha nada! Nem esperanças palpáveis, nem perspectivas e meus sonhos se restringiam a um possível “milagre” que mudaria tudo.

Neste momento de total “desespero”, onde não tinha nada além da minha fé para me apegar, eu me encontrei comigo mesmo. Com uma linda família que em mim confiava, eu saia pelas ruas, meio sem rumo e totalmente sem foco, andava por horas, em um país desconhecido, com idioma que eu não dominava e aceitava o trabalho que aparecesse, quando aparecesse...

Neste momento, de maior dificuldade, onde sentia claramente Pai João querendo me ensinar uma nova lição, compreendi a encarnação passada por muitos de nossos Pretos Velhos, onde o espírito endurecido, somente poderia ser abrandado se nada mais tivesse além de sua fé.

Rendi-me ao que me restava: A fé em nossa Doutrina, nos ensinamentos recebidos, nas vivencias e compreendi que tudo estava como deveria estar. Que havia algo a aprender e somente me disciplinando nesta hora é que poderia evitar que fosse “mais uma maré de dificuldades”, como tantas anteriormente enfrentadas e que passaram... e que voltaram...

Olhei para o pequeno Aledá, composto de uma mesinha encontrada no quintal, cuidadosamente lavada, coberta com um paninho branco e umas poucas fotos recém impressas em papel comum, e comecei a rezar o mantra de minha vida: “O Senhor tem o Seu Templo em meu íntimo, nenhum poder é demasiado ao poder dinâmico de meu espírito, o Amor e a Chama Branca da Vida, residem em mim”.

Sim, nosso Mantra da Iniciação, tantas vezes esquecido. Apeguei-me a esta singela frase e seus horários, que devem unificar a todos nossos irmãos, e ao sentar junto ao computador, nasceu o Exílio do Jaguar.

Como uma rama selvagem esta pequena jornada espalhou-se pelas centenas de Templos do Amanhecer. Irmãos e irmãs de todos as regiões e de diversos países passaram a me escrever. Nunca poderia imaginar que tudo fosse tão rápido. Parece que esta missão já estava traçada há muito tempo... há muito tempo!

Paralelamente, sem esperar e sem muito procurar, a vida material começou a caminhar também. As coisas surgiram naturalmente. Um mestre, que não conhecia, que nunca havia trocado uma única palavra, sentiu que deveria me procurar, e sem qualquer possibilidade de ter algum interesse, me encaminhou os primeiros trabalhos.

Depois do dia em que literalmente gastei minha última moeda (um dia conto esta história), nada mais me faltou! Tudo que parece impossível acontecer em um prazo de tempo curto e na maioria das vezes mesmo com muito mais prazo, aconteceu! Do mesmo modo que tudo que poderia dar errado, quando pisei nesta terra bendita que Pai Seta Branca encarnado pisou, deu errado, passou a dar tudo certo: é... verdade mesmo! Seu padrão vibratório é sua sentença! Repito e escrevo sempre porque EU VIVI E VIVO ISSO!

Em menos de um ano, espiritualmente fui renovado e tudo que materialmente parecia impossível, também foi conquistado. Eu sonhava em ganhar na loteria... Acreditava que seria a única maneira de tudo se resolver, mas Pai João soprava em meus ouvidos: “Hi, fio, vai ser com trabalho”. E eu pensava: Vixi... Vai ser muitos anos de trabalho para poder dar algum conforto para a família de novo.

Estou bem! Conquistei bem mais do que se tivesse ganhado na loteria boliviana e a família tem todo o conforto que precisa e merece... Em apenas um ano... E com trabalho??? Sim!!! É possível!!!

No meio do percurso, um assalto, uma mordida de cachorro inexplicável (outra história para contar) e outros pequenos testes, que já não mais afetam meu padrão vibratório. Eu estava imune a qualquer contratempo diário. A dor recentemente manipulada gerou anticorpos contra desânimo, mal-humor e outros sentimentos negativos.

Hoje vim compartilhar um pouco da minha imensa alegria em saber que os livros, que tive a condição de editar e doar, estão chegando aos seus destinos. Quero agradecer a todos vocês, pois tenho total consciência de que a vibração de vocês teve uma participação fundamental em todas estas realizações. Sei que sim, aprendi como funciona.

Queria escrever muito mais sobre este assunto, pois sei que muitos vivem momentos de angústia como os que eu vivi, mas por agora, vacinado contra qualquer orgulho, só posso afirmar, com todas as letras: É POSSÍVEL!

Kazagrande

Adjunto Yuricy


Uma homenagem do Mestre Gilmar   -  

O tempo, com sua ação silenciosa, por vezes nos consome, e faz cair no esquecimento pessoas e fatos  importantes em nossa vida. Sabemos que precisamos aceitar o progresso, mas também devemos considerar que somos o reflexo do que plantamos, de tudo e todos que fizeram parte desta nossa existência terrena.

Maria Edelves Couto dos Reis, Adjunto Yuricy! Marcou a vida das pessoas que tiveram a oportunidade de estar ao lado dela, mulher forte e de grande sensibilidade mediúnica, verdadeiramente preparada para fazer parte da formação da Doutrina do Amanhecer.

Recém chegada do então antigo Distrito Federal do Rio de Janeiro, nascida no estado do Piauí, veio transferida para a jovem capital Brasília. Ela assessorava altos funcionários públicos, onde sua condição enérgica e perfeccionista, aliada a sua curiosidade de conhecer o lado mediúnico e transcendental que sempre estivera presente em sua família biológica, levou-a a procurar a “Clarividente do Vale do Amanhecer”.

O primeiro encontro foi impactante! Era necessário, face sua personalidade forte e para quebrar os laços que ainda evitavam sua integração a família espiritual. Foi um encontro “marcado” ainda na Espiritualidade Maior.

Diante dos olhos marcantes e profundos de Tia Neiva há um imenso silencio quebrado por uma frase de Tia Neiva:

        - Minha filha! Dê-me este objeto que carrega em sua bolsa. Não mais é necessário que você o carregue! (Era uma espécie de amuleto, ou patuá que teriam oferecido a aquela Senhora viúva... Maria Edelves).

***

Ao remontar séculos, vamos encontrar na Península grega, no Oráculo de Delfos, uma Pitonisa que sentada em um tripé, imerso em vapores de eucaliptos: Pitya, a pitonisa que desafiaria o grande Leônidas, fazendo rufar os tambores. Ali estava também sua leal companheira, hoje Mestre Edelves.

Em Esparta junto com as Yuricys, Edelves saia com suas contemporâneas, acolhendo e levando os soldados para a serem curados das feridas causadas pelas batalhas sangrentas. Foi também uma rainha cigana poderosa.

No Vale do Amanhecer estava sob a tutela e guarda direta da Clarividente. Primeiramente foi classificada como Apará, até sua missão se delinear no momento então vivido, mas logo surgiu a Ninfa sol Edelves. Condiçao em que esteve ao lado do Mestre Sumanã, Michel Hanna,  na implantação e manutenção do Trabalho de Tura. No inicio da implantação da Doutrina no Vale do Amanhecer chegou a comandar trabalhos, ainda como Ninfa Sol.

A cada novo Ritual implantado, era chamada pela Clarividente para fazer a primeira invocação do mesmo.

Em 1978, com a formação dos Adjuntos e povos, é consagrada como Adjunto Yuricy Koatay 108 Herdeiro Triada Harpázios. É a única orixá feminina em meio a muitos homens.

Espartanos novamente juntos na missão simétrica do Simiromba de Deus, Seta Branca.

Nasce a falange de Yuricy e Edelves na força do Ministro que lhe dá o nome. Não é a Primeira da Falange, é sua Regente! Junto ao Primeiro Cavaleiro da Lança Faleiro Verde e da Guia Missionária Avalciara Verde compõe a força das Yuricys: A volta das Flores do Campo.

É designada por Tia Neiva aos grandes desenvolvimentos. Sob sua condição mediúnica as Ninfas são preparadas para receberem Pai Seta Branca, nos Rituais de sua Benção mensal.

Em 1985 é classificada como Arcano e Regente de Koatay 108. Coordena as Falanges de Yuricys e Príncipes Maias

O Adjunto Yuricy, Mestre Edelves, em 1985 em uma homenagem no aniversário de Tia Neiva, no dia 30 de outubro, é abraçada pela Clarividente que lhe diz: “Esta minha filha! Eu a amo de um modo especial”...

Quinze dias depois, Mestre Edelves choraria o desencarne de sua amiga e Mãe Mentora.

Mestre Edelves fica com a responsabilidade espiritual de conduzir as Yuricys, Príncipes Mayas e preparar as Ninfas para serem Jandas. Detentora de uma disciplina extremamente rígida é admirada por todos os médiuns. De ação enérgica, nunca se omitiu diante de situações “anti-doutrinárias”.

Com transito livre entre os Trinos Presidentes, mesmo no alto de seus oitenta anos, não deixava de cumprir sua missão espiritual.

A cada Primeiro de Maio, à frente de Príncipes Maias e Yuricys, emitia a Emanação de uma Grande Rainha. Os Médiuns perfilados no Solar da Estrela Candente aguardavam que sua Emissão e Canto que pareciam emocionar também os céus. Ficará em nossas mentes e coração a abertura de sua emissão: “Jesus quem te fala sou eu, a menor de tuas servas, que pede e implora sua força sob todo poder. Eu, Jaguar, primeira Ninfa Sol da Falange de Sublimação, Adjunto Yuricy Koatay 108, Herdeiro Triada Harpázios Sétimo Adjuração Arcanos Rama 2000, Mestre Edelves”.

Ficará em nós sua força, honestidade doutrinária, e como no Primeiro de Maio uma parte de seu canto: “... Que será para sempre o canto da Yuricy...”

Gilmar

Um Ajanã na luz do Sol


Abaixo uma mensagem, mais do isso! Na verdade um poema de um Mestre Ajanã de longa data. Um veterano que tem a humildade assumir a contínua busca do aperfeiçoamento pessoal. Meus respeitos Mestre Julio. (republicação)

Salve Deus!
Sou apenas um Ajanã solitário sobre o divã do sol.

Aceitação! Esta é uma palavra chave para estes nossos momentos.

O preconceito de idéia mata a mente.

Incluir os outros é a lição da vez, observo em mim mesmo...

Nunca devemos ficar às margens da verdade, a título de fidelidade ideológica, em uma interpretação racional difusa sob a ritualística.

Preocupo-me com os contextos... Falando para mim... Mas todos são meus irmãos neste caminho terrestre!

São bonitas as histórias e as experiências fora do corpo, mas as considero acima de tudo sob a égide de uma forma subconsciente de estudos. Uma ferramenta de aprendizado inter-planos.

A mediunidade aguçada traz algo do paraíso e muito do umbral, sobretudo se o ser ainda estiver preso ou refém do ego.

Este acervo eletrônico é prova e testemunha da universalidade do gesto abnegado de iluminados educadores.

O conhecimento está aberto a quem o busque.

A fonte é Una no universo!

Pai Seta Branca, simultaneamente também o Francisco de Assis.... Duas mensagens em épocas tão distintas: a cura desobsessiva do planeta, e a purificação e auto-superação exemplificada no espaço da humildade!

A inocência franciscana e pureza dos sentidos! Não basta só desobsediar, mas sim simultaneamente, também, melhorar a nossa presença neste plano! Mais além até do que a Conduta Doutrinária. A vida na matéria é um desafio, um teste a ir além dela!

Semeando a verdade aprendemos a amar os outros como sendo a si próprio (no limite de cada capacidade).

Somos ascendentes da Corrente Indiana do Espaço e temos todas as etnias do universo. Podemos distinguir o que é um cruzamento de corrente e não ter medo de buscar os conhecimentos.

Salve Deus! Interpretação da expressão de origem egípcia que honramos com a verdade absorvida e semeada aos quatro cantos do universo.

O amor sincero é a ponte que encurta todas as distancias, que une todas as crenças, todos os irmãos.

Julio Sheridon

quarta-feira, 17 de abril de 2013

PRESERVAÇÃO DOUTRINÁRIA


Temos um claro compromisso de fidelidade com o quê nossa Mãe Clarividente nos ensinou. Acreditamos em sua Clarividência e, portanto, sabemos que o quê nos foi deixado veio originalmente dos Planos Espirituais.

Nossos Trabalhos, Leis e Chaves, posturas, e até mesmo a elegância, devem ser respeitadas e os “invencionismos” e valores agregados de outras seitas e correntes, abandonados. O quê poderia ser compartilhado em comum já foi claramente agregado na formação do Mestrado e na formação de nossos Símbolos Doutrinários.

Adaptações e acomodações de conveniência, em vãs tentativas de conseguir-se adeptos, caracteriza um proselitismo totalmente contrário ao nosso princípio de atração magnética. Quem deve chegar a Doutrina, chega por atração! O seu crescimento deve ser fruto exclusivo da emanação do local e dos médiuns que fazem parte de um Templo.

Exemplos explícitos do funcionamento real desta “lei” podem ser notados nas diferenças em Templos de mesma idade de fundação, com características similares, mas desenvolvimentos contrários.

Também não podemos aceitar com naturalidade que se tenha necessidade de reformular conceitos para acompanhar modismos e modernismos, a pretexto de adaptá-la aos caprichos dos que já chegam com vertentes pré-adquiridas.

As tentativas de enxerto de idéias e convenções, práticas inconvenientes e comportamentos que não encontram guarida na sua rígida contextura doutrinal, acabam por provocar desvios, atraindo incautos e desconhecedores dos fundamentos básicos de Nossa Doutrina.

Acreditar que precisamos de complementos para nossos Trabalhos é considerar que a Clarividente falhou, deixando lacunas a serem preenchidas com outras filosofias similares e manipulações energéticas de outras correntes.

Com certeza o estudo de outras técnicas tem um ponto positivo: Leva-nos a compreender melhor nossas próprias técnicas. Pois analisando comparativamente vemos o quanto temos nas mãos e o quanto nossa Doutrina é completa!

Porém, enxertar técnicas complementares, por mais delicadas que sejam, fere a integridade, porque o Vale do Amanhecer, embora seja dinâmico, possui uma base inalterável, trazida diretamente dos planos espirituais, que não dispõe de espaço para adaptações, nem acréscimos que difiram da sua estrutura básica.

Torna-se indispensável, portanto, a vigilância de todos verdadeiramente comprometidos com a fidelidade doutrinária, para que a diversidade seitista e sutil da invasão de teses estranhas não predomine no seu campo de ação, terminando por asfixiar a planta boa, cuja mensagem dispensa as propostas reformadoras, caracterizadas pela precipitação e pelo desconhecimento dos seus ensinamentos.

Preservar a Doutrina de perigosas inovações da “Nova Era” é ter a segurança de que Tia Neiva não falhou! Deixou um sistema completo, dinâmico, mas com bases sólidas, fortes e completas.

Kazagrande

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Por que “Preto Velho”?


Uma das mais difíceis provas enfrentadas por nossos irmãos Jaguares, em busca de sua evolução, foi a passagem pela escravidão.

Considerada uma mancha na história da humanidade, e principalmente na História do Brasil, nós espiritualistas devemos ter uma ótica particular sobre este assunto. Nossa compreensão vai além dos olhos físicos e considera que, neste período triste, milenares espíritos de outrora tiveram condições de assumir, com muita coragem e desprendimento, seus débitos passados e, muitos, evoluírem a uma condição espiritual superior.

Despojados de tudo, de todos os pertences materiais, de todas as ligações emocionais, da família e estando em absoluta falta de perspectiva futura, muitos atenderam ao clamor do espírito e no ressoar de suas cantigas encontraram-se com seu verdadeiro “eu”... Com o espírito!

Somente assim, estes bravos Jaguares, endurecidos pelas intempéries dos tempos e das encarnações de liderança e poder, se desprenderam de toda a matéria e todas as emoções, encontrando, ainda encarnados, a Luz Divina.

O relato verídico da Cachoeira do Jaguar, romanceado por Tia Neiva, mas repleto de belíssimas lições de vida e moral, traduz claramente como Pai João e Pai Zé Pedro, chegaram às posições espirituais que hoje ocupam em nossa Doutrina. Antigos nobres romanos, como muitos outros contemporâneos em posições de destaque, estavam presentes e dispostos a assumir as duras penas da encarnação que os conduziria ao encontro com a Individualidade.

Muitos de nossos Mentores estiveram ali presentes e hoje se apresentam na mesma singela roupagem, que permite atender a todos nos Tronos, sem distinção social, econômica ou material.

Já pararam para observar a sabedoria contida na singela apresentação escolhida por nossos Mentores? Quando chega o mais humilde, não se sentirá melindrado. Quando chega o mais culto, a sabedoria contida nas palavras simples resplandece de Luz e a mensagem chega ao coração, não à mente intelectualizada!

Ao ingressar em nossa Doutrina, o intelectual sente a necessidade de ir em busca dos mistérios e conhecimentos disponíveis nas mensagens e em uma riquíssima ritualística. Já o mais humilde, ou aquele que é mesmo analfabeto, se encanta pela possibilidade de poder trabalhar de imediato. Não será discriminado pela pouca cultura e não será exigido que estude durante anos para poder praticar a caridade!

Nossos Pretos Velhos são o reflexo da sabedoria e simplicidade contida nos Planos Espirituais. Negá-los, preferir “outras origens”, “outras linhas”, é expor o estrago que o vírus da vaidade fez em seu coração!

O exemplo vem de cima! A humildade, fator preponderante nas mensagens do Divino Mestre Jesus, repetidas com sabedoria e emanação por nossos abnegados Mensageiros, vem receber a todos nos Tronos. A demonstração maior do Espírito do Jaguar não foi pelas glórias de Esparta, mas na singeleza da Cachoeira do Jaguar.

Kazagrande

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A História de um Doutrinador *


Há uma história, que Tia Neiva contava e que foi repetida inúmeras vezes em “versões” diferentes, mas as quais nunca mudaram sua essência. Nas aulas de Pré-Centúria, no Curso de Sétimo Raio, ela é recontada, pois nos dá uma verdadeira lição, despertando para a importância do compromisso espiritual, que podemos agora estar vivenciando.

Das diversas versões que ouvi, do Nestor, do Bálsamo, do Silvério, do Salviano, entre outros, a que mais me marcou foi justamente a primeira. Creio que com todos se passa assim! Ouvi do Trino Maralto, Mestre Gilfran, quando assisti pela primeira vez o curso de Pré-Centúria. Abaixo podem acompanhar esta história:

Há muitos anos, em um jantar na casa da Vó Sinharinha, a mãe da Tia Neiva, escutei, pela primeira vez, a história de um espírito, que foi trazido à presença de Nossa Mãe, pelos Mentores, para contar sua história, que deveria ser recontada aos filhos de Pai Seta Branca. Eu era um adolescente e fiquei impressionado com aquele relato. Foi muito interessante, pois à medida que a Tia ia contando, as imagens se formavam em minha mente e nunca mais as esqueci.

Escutei, outras vezes, a Tia Neiva contar esta história e ela sempre falava que era A HISTÓRIA DO DOUTRINADOR.

Em algum lugar do Brasil, final do século 19, havia um rico fazendeiro que possuía uma grande quantidade de terras e nela havia instalado “meeiros”. Os meeiros eram famílias que recebiam um pedaço de terra para cultivar e, na época da colheita, davam a metade do que produziam, para o dono das terras. Tinha um único filho, um rapaz muito bonito, forte e inteligente, que gostava muito de andar a cavalo, pelas terras do pai.

Uma destas famílias era formada por um casal de velhos e uma moça, com 15 ou 16 anos, muito bonita e meiga, que ajudava seus pais no dia-a-dia, naquela vida difícil. Um dia, ao passar pelas terras desta família, o rapaz viu a mocinha e ficou encantado com sua beleza. Ele achava que tudo que estivesse naquelas terras pertencia ao seu pai (e conseqüentemente a ele), e sentiu-se no direito de levar a moça consigo. Colocou-a no cavalo e seguiu, tranquilamente, para a sede da fazenda. O pai da moça, que estava na roça, ao ouvir os gritos da esposa e da filha, saiu correndo e conseguiu alcançar o rapaz. Começaram a discutir e o velho tentou arrancar sua filha de cima do cavalo.

O rapaz desceu e começaram a lutar. Como era mais forte, ele acabou matando o velho. Colocou a moça novamente no cavalo e continuou, como se nada houvesse acontecido.

Foi um desencarne muito violento! O espírito do velho saiu do corpo com muito ódio, que nem completou o processo normal de desligamento do corpo físico.

No processo de desencarne o espírito sai pela boca e se posiciona acima do corpo, a cabeça acima dos pés e os pés acima da cabeça. Num período de + 24 horas acontece uma transferência de energias, do corpo físico para o espírito, com exceção de uma energia, a Centelha Divina, que fica no corpo físico e se torna o “Charme”, uma energia que é o registro daquela encarnação. Normalmente o processo de desencarne começa 24 horas antes. Após este período de transferência de energias, os Médicos do Espaço fazem o desligamento do espírito, uma cirurgia espiritual, e o levam para Pedra Branca, onde ficará por 7 dias. Então, chega o momento mais preciso! O espírito “acorda” e o seu Mentor o traz para o Plano Etérico da Terra, onde de acordo com a sua consciência e seu livre arbítrio, ele tomará a decisão: partir junto com seu Mentor ou ficar preso à Terra, por algum apego material ou sentimental. Este processo de desencarne não é uma “regra” geral, pois cada caso é um caso!

No caso daquele senhor, o pai da menina, ele desencarnou com tanto ódio, que se tornou um Obsessor. A mãe da moça, já velha, não agüentou e morreu de tristeza.

Após ficar algum tempo com a moça, o rapaz abandonou-a e ela também, logo, logo, desencarnou. O tempo foi passando... O fazendeiro morreu e o rapaz, agora um homem casado, assumiu o lugar do pai. Ele tornou-se um homem bom, justo e amoroso com sua família, com seus escravos e empregados. Todos gostavam dele. Morreu bem velho, deitado em sua cama, com todos rezando e chorando ao seu redor.

Em toda sua vida só cometera um erro, um grande erro!

Quando despertou, nos Planos Espirituais, e tomou consciência da sua última encarnação e, principalmente, do “estrago” que tinha feito àquela família de agricultores, entrou em desespero. Ele pedia muito a Deus por uma oportunidade de reencarnar, para reparar o grande mal que causara àqueles seus irmãos. Queria voltar à Terra e ter uma vida de muito sofrimento.

Seria cego, leproso e pediria esmolas por toda sua vida. Só assim ele achava que pagaria pelo seu erro. Como tinha “bônus” suficiente para reencarnar, depois de algum tempo, foi chamado à presença dos Mestres, responsáveis pelo reencarne dos espíritos na Terra. Eles disseram que para ele reparar o mal que causara não precisaria ser cego, leproso e mendigo. Voltaria à Terra com uma Missão e dentro desta jornada teria a grande oportunidade do reajuste cármico. Iria reencarnar, novamente no Brasil, em Minas Gerais, numa cidade chamada Alfenas. Sua missão: ser um Doutrinador!

Quando um espírito recebe, de Deus, uma oportunidade de reencarnar é feito um planejamento cármico, que envolve todos que, de uma forma direta ou indireta, podem se beneficiar daquela encarnação. Ele escolhe os seus pais e faz, junto com seu Mentor, um compromisso espiritual de realizar o principal objetivo de sua volta à Terra: a sua evolução espiritual e a daqueles pelos quais se responsabilizou. Pode ser uma vida onde o foco será apenas na sua própria evolução ou pode assumir uma Missão, onde também deverá ajudar outros seres a evoluir. Tudo ocorre sob a Benção de Deus e respeito ao Livre Arbítrio de cada Ser.

Após tudo estabelecido, começa a preparação para uma nova existência terrena. O espírito é levado para o Sono Cultural, onde passará por um processo de “esquecimento” de suas vidas transcendentais, a sua nova personalidade será “moldada”, de acordo com a sua trajetória, e por fim, assumirá a forma de um feto.

Se houver o compromisso com algum “elítrio”, estes espíritos serão encaminhados para uma “estufa”, onde serão preparados para esta reencarnação. Mais ou menos no 3° Mês de gestação, os Médicos do Espaço fazem a ligação do espírito ao corpo físico em formação, através da Centelha Divina, que vem de Deus Pai Todo-Poderoso, que solda o espírito ao corpo físico e no desencarne se torna o “Charme”.

Nossa Mãe Clarividente dizia que se tivéssemos a consciência do que significa a oportunidade de reencarnar, daríamos mais importância à Vida. Seríamos felizes apenas por estarmos aqui na Terra.

A história continua, agora em Alfenas, início do século 20, onde um casal de pobres agricultores luta com muita dificuldade, para ter o pão de cada dia. Eles têm um único filho, um rapaz franzino, que além de ajudar na pequena roça, se esforçava muito para estudar. Este rapaz era a reencarnação do filho do rico fazendeiro...

Certo dia, indo para Alfenas vender alguns produtos, a carroça que levava esta pequena família, caiu em uma ribanceira e apenas o garoto sobreviveu. Sozinho, machucado, caminhou até chegar em uma casa, na periferia da cidade, onde foi recolhido por um senhor, que tinha um Centro Espírita. Ao tomar conhecimento da tragédia, o bondoso homem assumiu a criação daquele órfão.

Ele continuou seus estudos e também ajudava o “seu pai” nas atividades mediúnicas do Centro. Aprendeu muito rápido e logo seu pai percebeu que ele era portador de uma energia muito especial, uma força desobsessiva, e os casos mais difíceis ele já resolvia sozinho. Havia uma mocinha que freqüentava o Centro e era apaixonada pelo rapaz, mas ele não dava muita bola para ela. A vida deste jovem transcorria de uma forma muito tranqüila. Ele se formou e como queria ser professor foi fazer um curso de especialização, no Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro ele conheceu uma moça, da alta sociedade, e se apaixonaram.

Ao terminar o curso eles se casaram e voltaram para Alfenas. Quando chegaram ao Centro, a moça ficou muito chocada, pois o rapaz nunca lhe contara sobre o seu pai e nem sobre o trabalho mediúnico que eles faziam, sabedor do pavor que ela tinha de Espiritismo. Então ela, muito magoada, falou que ele tinha que escolher: ou ela ou o Centro!

O rapaz ficou desesperado, pois gostava muito da sua esposa. E decidiu! Foi falar com seu pai que não iria mais ficar no Centro, que já tinha dedicado toda sua vida aos trabalhos mediúnicos e que agora iria cuidar da sua vida, da sua família e da sua profissão.

O velho, que tinha sua vidência, já o havia alertado sobre uma grande dívida espiritual, um cobrador que ele tinha e que um dia, com o seu trabalho, libertaria este obsessor e saldaria sua dívida transcendental. Mais uma vez, tentou conscientizá-lo do seu compromisso, mas foi em vão. O rapaz estava decidido!

Com algumas economias e com uma parte do dote da esposa ele comprou um terreno, no alto de um morro, e construíram um bonito bangalô. Este morro era cortado por uma linha de trem e o lugar era muito bonito. A casa era simples, mas bem arrumada. Tinha uma bela varanda e na sala havia uma lareira, onde o professor gostava de ficar lendo. Lecionava na escola de Alfenas e todos gostavam muito dele.

Mas, o momento do reajuste se aproximava...

Nos arredores de Alfenas, havia uma moça muito simples, com seus 16 anos e que, de repente, enlouqueceu! Sua mãe, uma senhora viúva, já não sabia mais o que fazer. Tinha levado-a a médicos, benzedeiras, à Igreja, e nada, ninguém conseguia resolver o problema da jovem. A loucura continuava e piorava a cada dia. Já estavam amarrando a moça, para que não se machucasse e não machucasse ninguém. Então, alguém falou para levar a menina num Centro Espírita, que ficava na periferia da cidade, onde tinha um moço que curava “essas coisas”. E a mãe, no desespero, levou a menina até lá. Quando chegaram ao Centro e o velho viu o “quadro espiritual”, falou que nada podia fazer. Que quem poderia resolver aquela situação era o seu filho, mas ele não trabalhava mais ali. A mãe implorou para que o velho atendesse sua filha, mas ele realmente não podia fazer nada.

Aquela menina era a mocinha, que tinha sido raptada pelo filho do fazendeiro, a viúva era a velhinha, mais uma vez como mãe da menina, e o velho pai era o obsessor, o espírito que fora trazido para aquele reajuste, para saldar a dívida, o compromisso espiritual do rapaz.

Então, por consciência e compaixão, o velho espírita deu o endereço do filho, para aquela mãe desesperada. Ela pegou a filha e começou a subir o morro. À medida que se aproximavam da casa, a menina ficava mais agitada e mais violenta. Estava anoitecendo e o professor lia, junto à lareira, quando num barulho ensurdecedor, a porta foi derrubada pela menina, que havia se soltado das amarras e entrou urrando de ódio.

Os espíritos reconhecem seus “inimigos” por um “cheiro”, uma energia específica, uma emanação que é individual a cada ser, como as impressões digitais, um “DNA Espiritual”.

Foi um impacto de frio e de medo. Mas, bastaram alguns instantes, para que o professor tomasse consciência do que estava acontecendo. Lembrou-se do que seu velho pai lhe falava e sentiu que havia chegado a hora de resgatar as suas vítimas do passado. Como se pudesse ler seus pensamentos, a menina deu meia volta e saiu correndo da casa, em direção ao precipício.

Ele saiu correndo atrás, tentando falar com ela. A mãe, também, correu para lá. A menina parou na borda do precipício.

Lá embaixo, um lanterneiro, da estação de trem, observava tudo. O professor foi se aproximando, devagar, tentando “doutrinar” aquele espírito. Quando estava quase tocando o braço da moça, o obsessor a jogou no vazio, na escuridão. Neste momento, o professor chegou a “escutar a risada” do velho cobrador.

A mãe, ao ver sua filha cair para a morte, começou a gritar:

- Assassino! Assassino! Você matou minha filha!

Então, o funcionário da estrada de ferro correu até a cidade e chamou a polícia. De onde estava, parecia que o professor tinha empurrado a menina. Quando a polícia chegou e encontrou a mãe, que não parava de acusar o professor, teve que prendê-lo.

Foi julgado e, pelas declarações da mãe e do lanterneiro, foi condenado. Saiu do Tribunal direto para a prisão. Estava feita a “justiça”, o reajuste cármico, o resgate de uma família que havia sido destruída em outra vida, por um gesto impensado, por um impulso, um desatino. Lei de Causa e Efeito!

Sua jovem esposa o abandonou e voltou para o Rio de Janeiro, para casa de seus pais.

Ele definhava, dia após dia, e apenas seu velho pai e aquela jovem do Centro, que muito o amava, o visitavam na prisão. O tempo foi passando e a jovem moça precisava também seguir o seu caminho. As visitas foram se tornando raras e suas esperanças também. Ele pensava muito na sua incompreensão e pedia a Deus a oportunidade de sair dali, para continuar com a sua missão, no Centro, junto com seu velho pai.

Sua saúde estava abalada: o impacto da rajada de vento frio, do “reencontro”, à beira da lareira (aliada a pesada energia espiritual do cobrador), afetou a sua visão e estava ficando quase cego. As condições de higiene daquela masmorra e a falta de sol estavam causando feridas, por todo seu corpo. Como não tinha um corpo físico forte, parecia que não teria muito tempo de vida.

Alguns anos depois, a mãe da moça, no leito de morte, pediu para chamar o padre e confessou que o rapaz era inocente e que ela o tinha acusado por não ter suportado a morte da filha, que tanto amava.

Pediu que o padre jurasse que o tiraria da prisão, pois só assim ela morreria em paz.

Então, como se Deus tivesse escutado sua preces, o professor foi inocentado e saiu da prisão. Foi direto para o Centro e ao chegar lá, falou para seu velho pai que estava de volta para trabalhar e ajudar as pessoas.

O velhinho, que estava terminando seu tempo na Terra, olhou para o filho querido e falou:

- Meu filho, agora é tarde! Quem vai querer se tratar com você? Mesmo que tenha sido inocentado, sempre haverá uma certa desconfiança sobre você. E seu corpo, quem vai querer se tratar com alguém cheio de feridas? Como pode um cego guiar outro cego? Não, meu filho, agora é tarde!

Apesar da dor que sentia, o professor sabia que seu pai tinha razão.

Pouco tempo depois, o velho partiu!

Como não tinha mais condições de continuar no Centro, o professor terminou seus dias de vida, andando pelas ruas de Alfenas, CEGO, CHEIO DE FERIDAS e MENDIGANDO.

Quando desencarnou e tomou consciência desta encarnação, este espírito foi tomado por uma grande frustração. Tinha, mais uma vez, desperdiçado uma oportunidade de evolução. Recebeu toda preparação e proteção para cumprir sua missão e se reajustar com seu cobrador.

Até uma benção especial ele recebeu. Lembram daquela mocinha do Centro, que ele não dava muita bola? Era a sua Alma-Gêmea que estava na Terra, para ajudá-lo.

Salve Deus!

Naquela época, em que Tia Neiva contava esta história, este espírito já estava no espaço há mais ou menos uns 50 anos.

Ela pedia para que quando fossemos participar de algum Trabalho e lembrássemos dele, fizéssemos uma vibração de amor, para que ele conseguisse se libertar de sua própria prisão.

Não sei qual é a situação deste espírito nos dias atuais. Que ele tenha se libertado e esteja nos ajudando no final deste Ciclo Iniciático, que já se iniciou.

Que esta história ajude aos meus irmãos Jaguares, e a todos os meus irmãos em Cristo Jesus, que ainda não compreenderam a grandeza e o significado de sua existência, aqui na Terra.

Salve Deus!

Trino Maralto