segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Bispo


Meados de 1984. O ano estava custando a passar, badalado de todas as formas de profecias, de alarmes e de dificuldades. Nestor estava numa fase decisiva de sua carreira cármica, mas firme como aquele “que construiu a sua casa sobre a rocha”, continuava a ouvir atentamente o “meu diário” de Neiva. Sim, Nestor, estamos em 1984. Vamos voltar para 1958, Salve Deus! Eu me via como se estivesse numa pequena embarcação, navegando sem destino em mar fremente! Tinha perdido a noção dos valores. Realmente não sabia quando iria parar, tinha medo de tudo, tinha medo até de chamar por Deus! Será que Deus era espírito? Sei lá! Eu tinha medo de que Ele me aparecesse, era mesmo uma pequena embarcação em alto mar. Tudo o que estou tentando deixar nestas páginas é vivo, vivo como este sol que nos ilumina. Com este espírito de tristeza e angústia, fui chamada para transportar uma madeira que uma mulher havia comprado de outra. Encostei o carro, quando ouvi uma mulher e um homem discutindo asperamente. Os dois estava em vias de fato, isto é, partindo para a agressão física. Eu disse baixinho, para mim mesma: com tanto espírito que tenho, vou apartar essa briga, quando alguém disse no meu ouvido: Não se meta Neiva, a briga não é sua. E continuou: A mulher está com ciúmes de você, não conte comigo, eu vou embora. Respondi: Vá Pai João, sou acostumada a estar só. Porém nunca ligou, completou ele. E partiu dando as suas risadinhas.

Eu então marchei para junto do casal gritando: parem com isso gente! A mulher apontou o dedo para o meu rosto passando o braço tão rápido que quase me pegou, enquanto que o homem, apontando para mim, dizia: Sai daqui sua intrometida, não vê que a briga é por sua causa, infeliz! Vá cuidar da sua vida. Desaforo! Ia eu dizendo, quando a turma do deixa disso me tirou dali. Enquanto isso o homem continuava a esbravejar contra mim, dizendo coisas sem nexo como: fala-se no diabo e aparece o rabo. Meu pessoal apressou o carregamento, colocaram-se na cabine e eu fui parar no outro lado da cidade, com uma vontade muito grande de chorar. Porém Gilberto e Raul estavam comigo, éramos os três chefes da casa e eu não podia fraquejar. Debrucei-me sobre o volante e fiquei amargurando aquela dor. Nisto Pai João chegou. “Foi mexer com a vida dos outros, teimosa! Eu não falei?” Estou desajustada, vou matá-los! “Baú, baú, se não matou até agora, não matará mais, nunca mais”. Você está marchando para um sacerdócio. Feio, muito feio, eu disse. Porém, já fiz concurso de feio e você nunca fez. Rimos, e eu esqueci o incidente. E a vida passava sem que eu pudesse fazer coisa alguma. Porém eu já tinha desenvolvido minha mediunidade de incorporação. Certo dia veio me consultar um casal de jovens namorados. Queriam saber da Clarividente como seria sua vida de casados. Achei ele muito bonito e ela muito feia e petulante. Pensei, pensei e não dei resposta. Tomaria partido e achara ele muito bonito para sofrer ao lado daquela moça. Ô meu Deus, tomei partido e fui ridicularizada nos planos espirituais! Sim filho, eu era uma criança e de vez em quando fazia tolices como essas. Custei a entender a mim mesma qual era a minha missão. Vivia cheia de medos da Igreja, do pecado mortal etc. Depois do último erro, eu já estava mais doutrinada, quando me vieram dizer que havia um bispo na porta, querendo falar comigo.

Como? como você sabe, mulher? Porque sou a clarividente que o senhor procurou.

Gritei meus áis! Que querem fazer comigo? Um sacerdote de Deus! Fiquei por ali, sem saber o que fazer. Mãe Yara chegou e foi me levando para a Kombi onde se achava o sacerdote. Ele foi logo me dizendo: “Soube do seu fenômeno e me perguntou”. Chovia muito e me deixaram sozinha com ele na Kombi, cheia de medo, porém lembrando-me “dos meus olhos que eu tinha entregue a Jesus”, e de que não poderia mentir, como por exemplo, dizer que eu não era espírita nem clarividente. Não tinha por onde escapar. Em que os espíritas se apegam? Na reencarnação? Mãe Yara veio. Padre fui dizendo, seus pais são dois velhinhos que são dois santinhos. Deus lhes deu a graça de terem um filho como o senhor, mas porque eles têm também outro filho que é epilético e vive pelas ruas embriagado? “Como?, gritou ele, como você sabe mulher? Porque sou a clarividente que o senhor procurou. Sim, disse ainda, dívidas do passado. Seus pais e o senhor ainda se endividarão mutuamente. Disse-lhe ainda mais algumas coisas do irmão dele. Ele deu um gemido, como quem sente uma grande dor. “Realmente, meu irmão”. E foi despedindo de mim como se sentindo incomodado. Depois, se possível, se eu pudesse ir até onde ele morava. Tudo que eu lhe disse é verdade. Não, eu não sairia dali! Tudo foi muito desagradável. Falei com Mãe Yara e ela me disse que não ficaria só nisso, outros e outros me abordariam. Foi uma dura experiência, porque realmente eu gosto da Igreja. Fiquei triste por uns dias e deveras impressionada com o susto do padre. Há outras passagens de minha vida que podem elucidar muita coisa para você que não estão escritas. Isso eu farei em outro livrinho. Um velho amigo, chegando de Uberlândia me convidou para a despedida do Zé e sua noiva. Dirigimos para um pequeno bar e lá ficamos, cantando e bebendo, todos se despedindo. Voltaram para seus lugares e estavam apaixonados em me deixar ali em Brasília, na Cidade Livre, no Núcleo Bandeirante. Tomei novamente cerveja, eu que não tinha desejos por bebidas. Em toda minha vida eu vivia para meus filhos.

3 comentários:

Prezado Cazagrande,

Salve Deus!
Lindo texto. Eu sempre me deleito com os seus escrito maravilhosos. Enquando aguardo os próximos. Parabéns!
Euleir Elller
Fortaleza-Ce

em um texto podemos ter vários aprendizados
...(Eu disse baixinho, para mim mesma: com tanto espírito que tenho, vou apartar essa briga, quando alguém disse no meu ouvido: Não se meta Neiva, a briga não é sua. E continuou: A mulher está com ciúmes de você, não conte comigo, eu vou embora. Respondi: Vá Pai João, sou acostumada a estar só.)... Sabias palavras de Pai João. Não deve desejar ou forçar que um casal se separa para outra (o) ocupar o lugar. Somos humanos e não conhecemos os compromissos carmicos ou a missão de um casal aqui na terra. Quem somos nós simples mortais para decidir quem fica com quem ou dizer a escolha foi feita. Não devemos nós achar que o homem deve larga sua mulher para outra ocupar o lugar. Quando Deus mostrar a sua vontade e mostrar a verdade, podemos correr o risco de ficar com cara de tacho, como expressou tia Neiva. Salve Deus. Ninfa Lua.

ola amado irmao e mestre,KAZAGRANDE, gratidao portudo. jaquares de todo o universo, unificai-vos e integrai-vos, os de toda a terra, com os dos ceus, e de todos os planos e direçoes, com permissao dos nossos infinitos e grandiosos e abnegados mentores, e de nosso senhor jesus cristo,e deus pai todo poderoso, com amor no meu coraçao, eu amo a todos voçes, luz e paz a todos os coraçoes unificados. salve deus

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