sábado, 23 de abril de 2011

Lembranças do Trino Araken


Texto do Adjunto Hitupan, Mestre Hugo Sobreira – Crato – CE  

   Estava ouvindo umas gravações com o saudoso Trino Arakém. Sua voz grave, tom sisudo, compenetrado e comprometido. Lembrei-me de uma passagem inesquecível porque inspirada pelo amor.  

Estávamos no Templo Mãe, tudo lindo para nós, maravilhoso! Nossa casa! Nossa Mãe viveu ali! Éramos todos muito “eletrizados” com tudo, até o simples fato de tomar um cafezinho com pão de queijo nos fazia lembrar dela: “será que ela também tomou um café aqui?”, “quantas vezes ela esteve sentada aqui?”... vibrávamos!

Viajávamos cerca de três vezes por ano, cerca de mil e tantos quilômetros, geralmente mais de 30 horas de viagem... mas quem pensava em cansaço? Escalada, irmãos! Escalada! Passávamos a semana na realização dos trabalhos da Estrela Candente, de domingo a domingo: escalada! Alegres, realizados, felizes!

Salvo engano, foi no ano de 2001, na semana que acontecia a Consagração de Adjuntos. Ouvimos então aquilo que era uma grande novidade para nós: o Trino Arakém, 1º. Mestre Jaguar, realizaria uma palestra no Solar dos Médiuns. Convocava a todos que pudessem comparecer. Eu e outro irmão doutrinador, na época meu cunhado, após o ritual de entrega de energias, mal engolimos qualquer lanche e partimos para o local anunciado. Havia poucas pessoas ainda. Como não sabíamos onde nos colocar, ficamos logo atrás do radar da Estrela, de onde nosso grande e admirado Mestre Jaguar falaria. Achando tudo bem, ficamos ali aguardando. Mal fazia um mês do triste atentado nos Estados Unidos. A expectativa era grande.

Comecei a estranhar a partir do momento que no Solar iam chegando nossos outros irmãos jaguares. Ao nosso lado, no setor em que estávamos, apenas se acomodavam adjuntos arcanos, reconheci Mestre Lacerda, Mestre Caldeira, Mestre Barros, Mestre Fróes, Mestre Mário Kyoshi... Senti-me desconfortável e comentei com meu irmão ao lado: será que estamos aqui de “enxeridos”? Ele sorriu e deu de ombros: se não vierem pedir para sairmos, vamos ficar... Eu disse: mas é certo? Ele: somos todos filhos do mesmo Pai... Fiquei meio encabulado, mas como ele era mais velho que eu na doutrina, acatei.

O Mestre Jaguar chegou, fez sua emissão, seu canto e começou sua palestra. Em pouco tempo, senti-me noutro cenário. Tinha a visão do Solar à minha frente, repleto de mestres e ninfas, toda tribo reunida, toda tropa! Mas agora, na Lei do Auxílio! Falava então o velho general de outras eras, guiando a multidão de guerreiros, não mais para o abismo, não mais irmãos contra irmãos, mas nos destinos de uma Nova Era, cuja bússola só poderia ser o Evangelho Vivo de Jesus! “Conduta, jaguares... Chega de brincar, já passou o tempo de brincar de doutrinador, já passou o tempo de brincar de apará... As forças já se movimentam... São forças terríveis... Sempre alerta, jaguares...” Essencialmente, é o que me recordo, nitidamente, como se o ouvisse agora. Falava ainda dos temidos Cavaleiros do Apocalipse. Via-me no Peloponeso, via-me em Brasília, era um misto de emoções, sensações... Mas uma coisa tinha certeza: ali estava meu general de outros tempos, um líder nato! E tudo era verdade. A transição havia começado. Realizou uma Contagem e partimos.

Quando voltávamos para a casa querida que nos hospedava a todo nosso povo, vínhamos calados, pensando como descrever o que vivêramos ali. Olhei de repente para ele e soltei essa: “tu já usou aqueles xampus anti-caspa?” Meu irmão riu muito e disse: “exatamente! Eu tava procurando como descrever o que tô sentindo! O couro cabeludo parece nossa boca quando usamos bala de menta!” Eu confirmei maravilhado! Ele disse: verdadeira manipulação de energias desobsessivas! Sorri e disse: não era para menos, né! Sorrimos realizados. Poucas vezes senti-me tão completamente senhor do meu eu. Sabia exatamente o que eu era: o doutrinador, pelo amor de Koatay 108 e meu Pai Seta Branca, em Cristo Jesus, Graças a Deus! E não estava sozinho: todos éramos um!

Adjunto Hitupan – Mestre Hugo Sobreira – Crato – Ceará

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