segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Biblioteca – George Vale Owen

Em 1859, em Birmingham, Inglaterra, reencarnou George Vale Owen (1869 – 1931).

George tornou-se um sacerdote aos vinte e quatro anos, após ser educado no Instituto de Midland e no Queen´s College (Universidade da Rainha). Passou então a servir sua Igreja Protestante, sempre dedicado à verdade, e, por conta desta qualidade, pagou alto preço.

Rapidamente ele demonstrou suas inclinações filosófico - cientificas, fato que o distanciou de seus confrades, apegados a dogmas e rituais.

Em 1893, ele foi nomeado para cumprir seu ministério no curato em Seaforth, uma designação humilde, mas que ele executou com responsabilidade e comprometimento. Depois foi Cura em Fairfield (1895), e em S. Matheus (1897), ambos em Liverpool. Em 1908 foi servir na Igreja em Oxford.

A necessária mudança em sua trajetória de vida ocorreu em 1913. Naquele ano sua mediunidade começou a dar os primeiros sinais, com a ajuda de sua mãe que desencarnara em 1909.

Obviamente que George teve que romper as barreiras pessoais para primeiramente aceitar, depois acreditar, e, por fim, passar a divulgar as verdades sobre as quais somente naquele instante ele tomara conhecimento.

Por meio da psicografia ele recebeu inicialmente mensagens de sua mãe e de um grupo de amigos desencarnados. Depois surgiu um outro Espírito que se identificou pelo nome Astriel; este disse que fora diretor de uma escola em Wrawich, em meados do século XVIII; ele juntou-se aos seus antecessores e escreveu, por intermédio da mediunidade de George, o livro “As Regiões Inferiores do Céu”.



Posteriormente ele teve sua companhia espiritual alterada, Astriel, sua mãe e seus amigos, deram lugar ao Espírito que se identificou como Zabdiel; por orientação dele foi escrito “As Altas Regiões do Céu”.

A obra “O Ministério do Céu” foi escrita pelo Espírito que se identificou apenas como Leader (guia), juntamente com seu grupo.

Depois, Leader assumiu o nome Arnel e escreveu “Os Batalhões do Céu”, obra de elevado cunho moral.

Consta que George jamais alterou, com o fito de adaptar ou tornar mais compreensível, qualquer parte dos textos que foram escritos pelos Espíritos.

Para conhecimento do leitor, reproduzimos abaixo parte do prefácio da primeira edição, que retiramos do livro publicado no Brasil sob o nome “A Vida Além do Véu”. Na realidade, esta obra é uma tradução de “As Regiões Inferiores do Céu”. O trecho escolhido esclarece bastante sobre a obra registrada pela Mediunidade de George Vale Owen:

“A narrativa coloca-nos em face do Universo Espiritual, de inconcebível grandeza e imensidade, e vai, de esfera em esfera, pelos reinos da luz, os quais se desdobram pela amplidão do infinito”.

Diz-nos ela que aqueles que partiram da vida terrena habitam as mais próximas esferas do nosso globo e se vêm circundados de coisas não inteiramente dessemelhantes às que conheceram no mundo; que entramos, com a morte, no círculo mais apropriado ao nosso desenvolvimento espiritual. Não há mudança repentina em nossa personalidade. Não mergulhamos no esquecimento. Um ser não se transforma em outro ser.

Na primeira esfera de luz encontramos árvores e flores, como as que nascem nos jardins da Terra; flores e árvores mais belas, que não emurchecem, que não morrem, que formam parte integrante de nossa vida.

Em torno de nós há pássaros e animais. Conservam-se ainda amigos do homem, de quem estão mais próximos. São mais inteligentes e já não sofrem os temores nem padecem as crueldades que experimentam no Planeta.

Encontramos casas e jardins, porém, de substância, cor e atmosfera mais de acordo conosco. A água borbulha com sonoridades musicais; há maior harmonia de cores. Tudo é mais radiante, mais alegre, mais interessantemente complexo, e, não obstante estar a nossa atividade multiplicada, é a nossa vida mais remansosa.

Desaparecem as diferenças de idade. Não há velhos na Esfera de Luz. Ali só habitam os fortes e de bela aparência.

Espíritos de mais alta esfera podem descer à esfera inferior; podem, mesmo, ser enviados em missão à Terra. Antes, porém, de nos alcançarem, têm que se habituar à luz mais obscura e ao ar mais pesado das esferas inferiores.

Necessitam de adaptação, a fim de se amoldarem à densa e turva atmosfera na qual está envolvido o nosso mundo.

É esta razão por que as vozes dos Espíritos nos alcançam tantas vezes, em pequenos fragmentos, de sorte que a nossa inteligência pode dificilmente reuni-los. É esta a razão por que, tão de espaço, são ouvidas as palavras e percebidas a presença dos que estão ansiosos por se comunicarem com os amigos e confortá-los.

Tão insignificante é a transformação a que chamamos morte, conta-nos a narrativa, que muitos não se apercebem dela.

Precisam os mortos se lhes diga que estão em outro mundo, no mundo em que todos se hão de reunir”.

O leitor acostumado às obras espíritas, particularmente as psicografadas por Francisco Cândido Xavier, ditadas pelo Espírito André Luiz, especialmente o livro “Nosso Lar”, poderão comparar e ver as identidades e semelhanças notáveis entre uma e outra exposição. Contudo, a obra de George Vale Owen foi escrita antes de 1920, enquanto “Nosso Lar” foi escrito no inicio da década de 1940.

Apenas como lembrança é bom registrar que existem regiões espirituais infinitamente mais ditosas e outras extremamente inferiores àquela acima descrita.

As reações contrárias vindas dos confrades do médium psicógrafo não tardaram. George perdeu a administração de seu curato e, como resultado, ficou sem sua fonte de renda, passando daí por diante a viver com enormes dificuldades financeiras.

Todavia, o trabalho de George já tinha se tornado conhecido e ele não ficou desamparado na divulgação de sua obra.

Em 1920, o nobre irlandês J. Alfred Hamsworth (1865 – 1922), conhecido como Lord Northcliffe, detentor de fortuna e prestígio, interessou-se por seu trabalho e passou a publicá-lo no “The Weekly Despatch”.

Lord Northcliffe era editor do jornal “The Times”, de Londres, e estava sempre disposto a publicar a verdade. Seu lema era “Explique, simplifique, clarifique”.

Quando o Lord encontrou George ofereceu-lhe mil libras como pagamento pela autorização da publicação de seus textos, porém o médium, demonstrando nobreza de caráter, apesar de sua difícil situação financeira, aceitou apenas que fosse publicado o trabalho dos Espíritos, não recebendo nenhuma vantagem pessoal.

Pela publicação destes textos e por razoes ligadas às suas próprias opiniões, Northcliffe foi marginalizado por sua classe social, não obstante, manteve-se firme em seu propósito de divulgar o trabalho que tanto interesse despertava.

“Não tive a oportunidade de ler toda “A vida Além do Véu”, porém, entre as passagens que perlustrei, muitas há de grande beleza”.

“Parece-me que a personalidade do Reverendo G. Vale Owen é matéria de suma importância, devendo ser considerada de par com os notáveis documentos que nos apresenta”.

“Durante a ligeira conferencia que entretivemos, percebi que estava em presença de um homem de sinceridade e convicção. Ele não se julgava dotado de qualidades psíquicas especiais. Mostrou-se pouco ambicioso de publicidade e declinou dos grandes emolumentos que facilmente lhe adviriam em conseqüência do enorme interesse que estes escritos vão despertar no público de todo o Planeta”. Escreveu Northcliffe a respeito de sua relação com o médium.

A publicação das obras de George no “The Weekly Despatch” levou o periódico a atingir marcas vultosas de vendagem. Na Inglaterra seu trabalho passou a ser reconhecido como as “Escrituras de Owen”.

Com cinqüenta e três anos George rumou para os Estados Unidos a fim de divulgar, por meio de palestras, seu trabalho e suas crenças. Depois retornou para a Inglaterra e lá continuou realizando conferências e apresentando um mundo novo para os que o ouviram.

Como todas suas despesas eram cobertas com recursos próprios, George esgotou rapidamente seus recursos. Em seu socorro Arthur Conan Doyle realizou uma coleta que ficou conhecida como “Caixa de Vale Owen”; todavia, em respeito aos seus princípios, o médium não aceitou o dinheiro. Arthur manteve suas relações com o amigo, inclusive escrevendo os prólogos de seus livros.

Depois de dezoito anos de trabalho em defesa da verdade, George adoeceu e desencarnou em 1931.

Apresento a vocês algumas obras de George Vale Owen.


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