sábado, 4 de maio de 2013

Os Medos do Doutrinador

Ao incorporar o “irmãozinho” a ninfa deu um berro gerando um alvoroço completo. O Doutrinador, um recém emplacado, quase caiu por cima do Preto Velho que atendia no Trono atrás dele. O paciente, pela primeira vez no Templo, não sabia se escondia-se debaixo do Trono ou corria. Até o Comandante, meio distraído, deu um pulo gritando: Salve Deus!

Quem já presenciou uma cena destas? Eu mesmo e tenho certeza, que infelizmente, muitos outros Mestres e Ninfas.

Vamos deixar de lado hoje todos os demais efeitos da falta de sintonia da Ninfa, afinal, em sintonia, nunca recebemos qualquer energia a qual não tenhamos total e absoluta segurança para manipular, dentro das leis do amanhecer, que prevêem, elegância e total respeito na incorporação.

Pensamos exclusivamente no terror do jovem Doutrinador! Dando seus primeiros passos na Doutrina, cheio de energia, mas com a insegurança natural de quem compreende a responsabilidade de um atendimento nos Tronos. Disposto a trabalhar, lutando para vencer a timidez em realizar um convite para uma Centuriã, e quando chega na hora do trabalho passa por uma situação vexatória destas.

Insisto no termo vexatória porque ele vira o centro de atenção de todos, que acompanham sua doutrina para ver se o espírito “sobe” e a ninfa deixa de querer aparecer. A doutrina mal sai da boca, as palavras se desordenam na mente, a boca seca e parece que não termina nunca! E sabe que nem pode tentar terminar rápido, pois com certeza o “espírito” não vai querer subir com pouca conversa. Todos olhando... E ele só pensando: se um dia voltar para os Tronos nunca mais volto com esta ninfa!

Outros medos também assombram o Doutrinador iniciante, mas nos Tronos, a maioria é decorrente da própria má formação dos Aparás.

Vejamos:

A Entidade começa a falar com o paciente, e com o barulho do Templo ele não consegue ouvir. Bem, ele pensa: Sei que aí está uma Entidade de Luz, este apará é conhecido, então está tudo bem! Me proteja meu Pai! Certo? ERRADO!!! Um Doutrinador não pode atender um paciente sem ouvir claramente a comunicação! Vou repetir: Não pode atender nenhum paciente sem saber exatamente o quê está sendo dito ali! É sua responsabilidade, tem que ouvir! Falo de minha experiência pessoal, quando não escuto, pode ser minha Ninfa, em quem tenho total confiança e pelos anos de trabalho sinto claramente qualquer alteração energética, se não escuto, abaixo a cabeça perto do ouvido do apará e digo bem baixinho: “Salve Deus Vovó! Hoje o Templo está um pouco barulhento, a senhora poderia falar um pouquinho mais alto?” Qual Entidade de Luz vai ficar “chateada” com isso? A Entidade jamais!

Outro ponto, às vezes sentimos claramente que a energia mudou, é possível que outra entidade tenha se aproximado para atender um paciente especificamente. Então o correto é não ter dúvidas! Com muito carinho e respeito, baixinho e com elegância para não chamar a atenção: “Salve Deus! Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, quem está presente neste aparelho?” Muitas vezes o próprio apará tinha sentido uma mudança de energia, e esta simples pergunta vai dar a ele a certeza que precisa. Se conseguir se identificar sem problemas, graças a Deus! E também pode acontecer de neste instante, o apará não tendo a segurança, mas reconhecendo a mudança, simplesmente dá passagem.

As vezes incorpora um Caboclo nos Tronos e se age como se nada de anormal tivesse passado. Salve Deus! Qualquer entidade, para trabalhar no Vale, tem que ser identificada, e apresentada ao paciente, antes de receber qualquer passe. Sim, houve a mudança, necessária por vezes, mas antes da Entidade poder atender o Doutrinador tem a obrigação de identificá-la.

O Doutrinador só pode trabalhar em segurança total e sem dúvidas, senão não é Doutrinador. É um robozinho, como dizia Tia Neiva.

Não havendo sintonia, segurança ou tendo qualquer tipo de dívidas, senta-se após o paciente sair e com toda delicadeza diz: “Salve Deus Vovó, que trabalho maravilhoso! Gostaria de ter outras oportunidades de trabalhar com a senhora, mas agora preciso sair um pouco dos Tronos”. Não é uma mentira, ou subterfúgio! É a mais clara realidade. Todos nós almejamos a honra de trabalhar com uma Entidade de Luz. Se naquele momento a sintonia não está bem, não é por culpa da Entidade, é uma falha nossa ou do apará. Falando desta forma é simples! Sem mágoas, sem comentários posteriores, nada. Somente o bom senso e educação! É melhor deixar um paciente esperando mais tempo para ser atendido do que ser atendido em um Trono onde algum médium possa estar em dúvidas.

Lembremos sempre que a vida de uma pessoa nos é confiada naquele momento. Existem os que chegam aos Tronos como última esperança, a beira do suicídio mesmo!

Mestre, tem uma fila de pacientes gigante e me deu dor de cabeça, dor de barriga, ou simplesmente a bexiga quer estourar, o quê eu faço?

“Salve Deus! Minha querida vovozinha, gostaria muito de poder continuar esta grande oportunidade, mas tenho uma necessidade física neste momento, podemos encerrar nosso trabalho?”

Mestre, e naquela primeira situação? Uma incorporação escandalosa dando socos, gritos e mensagens pessoais... Que quê eu faço se acontecer comigo?

Assim que terminar o atendimento, encerre o trabalho! Sentindo que o paciente ficou assustado e não está saindo melhor do que chegou, faça sinal ao Comandante e discretamente peça para que ele encaminhe o paciente a outro Trono. Em seguida, sente-se e encerre seu trabalho.

Trabalhar nos Tronos é muito sério para os dois, mas a responsabilidade é do Doutrinador!

Para os Aparás... É compreensível que chegue um irmãozinho querendo gritar, socar o Trono, dizer impropérios. Isso acontece com freqüência, mas o controle da incorporação é do médium. Para isso é que está consciente! Demonstração de força não é ceder aos impulsos e se harmonizar com a entidade sofredora. E sim saber controlar-se e buscar a sintonia do seu Mentor.

Para um Apará trabalhar nos Tronos tem que se ter Equilíbrio! Para um Doutrinador trabalhar tem que ter segurança. Não pode trabalhar em dúvidas, repito novamente.

Salve Deus! Enquanto o médium ainda não é Centurião, podemos orientar, ou pedir aos Instrutores que o procure e oriente. Depois de Centurião, todo seu comportamento é de sua total responsabilidade.

Tia Neiva foi clara nos dois pontos a esse respeito: A responsabilidade dos Tronos é do Doutrinador e o comportamento do Apará é de sua própria responsabilidade. Ele tem que estar em sintonia com sua Entidade, e não com o irmãozinho que chega aos Tronos.

6 comentários:

O TRABALHO DE TRONO E MUITO CERIO. MAIS TODOS OS DIAS E UM APRENDIZADO.

! Salve Deus ! Que bom ter lido essa história nesse momento pois estou prestes a centuriar e foi bom saber das grandes responsabilidades que devemos ter não só nos tronos mais em todos os trabalhos na nossa Doutrina. Salve Deus !

Save DEUS Mestre Kazagrande .
Que estas lições abençoadas e iluminadas venham sempre nos esclarecendo e tirando duvidas para que possamos realizar trabalhos dignos deste Amanhecer. Mestre Lourival (Aleso)

e muito bom tira varias duvidas q nois temos

Muito valiosas as suas colocações.´E SER ou NÃO SER.É muito serio,já vi doutrinadora se tornar joguete nas mãos de irmãozinho e a paciente tbem, que por sinal a paciente era minha mãe.A doutrinadora pagou carissímo e o ajaná sumiu do templo e salve deus por onde anda.Parabens kazagrande vc tem um conhecimento de dar inveja a qualquer instrutor de centuria.

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