quinta-feira, 3 de maio de 2012

Mestre Humarran

Quem teve a oportunidade de ouvir as narrativas de Tistude, Beto, Carmem Lúcia, Raul e Verinha sabem das grandes dificuldades do início da jornada missionária de Tia Neiva. Uma jovem viúva simples, com cinco filhos, saída de uma cidadezinha do menor Estado do Brasil em busca do sustento. Mulher guerreira, de formação fortemente católica, que encarou seu destino com uma única certeza: Tinha que lutar!

Lutando, transferiu-se para o interior de Goiás, foi fotógrafa, mascate, motorista de ônibus e lotação, trabalhava com o quê lhe era possível para sustentar a família. Muitas dificuldades, apertos quase inenarráveis e garra de continuar em busca da vitória, da estabilidade que todos nós buscamos.

Não, ela não foi uma missionária que teve tudo nas mãos para começar uma jornada tranqüila. Tinha compromissos cármicos, e os ia cumprindo um a um, pagando seus débitos, reajustando e inconscientemente se preparando para uma missão que desconhecia por completo. Não foi uma criança rodeada de fenômenos paranormais, cheia de previsões para o futuro. Foi uma jovem sonhadora, com planos de construir uma família e ser feliz, como todos nós almejamos.

Depois de ficar viúva e iniciar sua peregrinação em busca do sustento, chegou um momento em que as coisas se tranqüilizavam. Conquistou sua carteira de motorista profissional. A primeira mulher com carteira de habilitação profissional! Trabalhando para outros foi a duras penas conseguindo o dinheiro para o primeiro caminhão. Com o início das obras da construção de Brasília obteve a oportunidade de “fichar” seu caminhão, e parecia enfim que a vida iria se estabilizar. Depois de tanto tempo brigando com o bolso, poderia ter alguma tranqüilidade. Dinheiro garantido para o mês. Os negócios avançavam, já adquiria outro caminhão. Por fim parecia o momento em que a prosperidade lhe atingia e poderia dar os estudos e a tão sonhada estabilidade para sua família.

Exatamente neste ponto da vida, em que tudo parecia tão bem, começam as visões. Desperta sua mediunidade e o mundo seguro, que começava a pisar, desaba! Acredita que está doente, procura médicos, psicólogos, psiquiatras e suas visões deixam atônitos os que deveriam curá-la. Acha que está possuída, vai em busca de padres, e o auxílio da santa madre igreja, pois era católica apostólica romana convicta (assim mesmo declarava). Mas a voz interior grita que aquilo tudo é bom, é para o bem. Em um dos terreiros, que também visitou, os fenômenos se repetem. Um deles, após sua visita nunca mais volta a abrir as portas (história digna de se contar em outra oportunidade).

Aceitando a comunicação espiritual e rendendo-se ao clamor de sua origem cigana, resolve retirar-se do mundo e partir em busca de sua missão. Deixa tudo que havia conquistado! Tudo que até então havia sonhado e finalmente começava a materializar-se.

Ao lado de outra médium vai para um sítio no meio do nada, entre Brasília e Goiânia, e inicia uma comunidade espiritualista, a UESB União Espiritualista Seta Branca.

Chegando lá, rodeada de fenômenos, de pessoas que começam a procurá-la, cria um orfanato, um hospital e um templo. Explico que era tudo rústico. Extremamente pobre! No hospital ficavam os “doidinhos” abandonados, no orfanato, os meninos e meninas rejeitados, no templo, a caridade a quem quer que chegasse a que hora fosse.

Neste ponto, Tia compreende sua limitação física. Vê que apesar de todos seus fenômenos mediúnicos, e de um conhecimento despertado do espírito, ela mesma, a Neiva, não sabia nada. Não entendia como se processava tudo. Pediu então a Pai Seta Branca que lhe auxiliasse. Um dos poucos pedidos que fez, em toda sua vida, para si mesma. Pediu conhecimento, compreensão para poder ensinar e explicar.

Fez seu juramento e colocou-se a disposição para a missão que se descortinava e Pai Seta Branca disse que, a partir de então, iria transportar-se todos os dias para um mosteiro no Himalaia, um lugar distante, dentro do Tibete, mas ainda não alcançado pela invasão chinesa. Neste lugar encontraria com um velho monge, Humarran, que seria seu mestre nos próximos anos.

Para que estes transportes pudessem ocorrer, com a freqüência que precisaria, deveria se abster de qualquer medicamento, fato que após cinco anos de “curso”, deixou-a bastante debilitada, desenvolvendo o último de seus males cármicos. Este digno de uma história a parte que não recordo de já ter sido escrita.

Mestre Humarran foi o Mestre de Tia Neiva. Orientou e explicou seus fenômenos e, a este auxilio valioso, devemos a Estrutura da Doutrina do Amanhecer. Por ele, Tia reconectou-se com suas origens, e chegou a grande realização de sua vida: o Doutrinador.

Após esta primeira preparação, Mestre Humarran continuou ligado a nossa Doutrina, e mesmo depois de seu desencarne seu auxílio nos direcionou para as próximas etapas de nossa Doutrina. Avançando além do projeto inicial, que era o Doutrinador, chegando ao embasamento iniciático. A ele devemos as Chaves do Desenvolvimento da Doutrina do Amanhecer.

Pelas mãos de Humarran, Tia ainda foi levada ao Oráculo de Simiromba, onde recebeu o direito de trazer a Estrela Candente.

Atualmente Humarran mantém seu elo com a Doutrina, ficando ao lado dos Comandantes das Grandes Amacês que conduzem as energias da Estrela Candente.

Pérolas de Humarran:

“No mais íntimo do ser humano, que é o plexo, existem energias latentes, forças poderosas que não são exploradas senão excepcionalmente. Com a intervenção destas forças podem ser curadas as doenças do corpo e do caráter, digo, doenças físicas e morais.”

“Partindo desta compreensão das origens criadoras nas atividades racionais e tão intimamente unidas, são vidas conscientes, que sabem discernir que o negativo de hoje será o mal de amanhã. Cada consciência vive e se envolve com seus próprios pensamentos. Através dos séculos do tempo, nada escapa à lei do progresso - as religiões acima de tudo!...” Humarran em abril de 1962

“Nas alterações, separamos, de maneira rigorosa, os transtornos da percepção. Alterações observadas no terreno das representações e, inclusive, as alucinações, porque nestas representações ou alucinações as alterações se manifestam sutis, tornando-se perigosas.” Aula em outubro de 1962

“Conhecendo bem as leis e as forças da Cabala, às vezes nos admiramos tanto, porque certos homens, que tiveram a graça de ser inteligentes, preferiram, no entanto, viver com suas armas presas nos estreitos limites do corpo humano, resistindo até mesmo aos esforços dos Poderes Superiores. O medo do ridículo, provocado pelo orgulho!... Não sabe o Homem que seria mais inteligente se aprofundar para criar!...” Aula em outubro de 1962

“Preserva tua mente do orgulho, pois o orgulho provém somente a ignorância. O Homem não tem conhecimento. Pensa ser grande, ter feito esta ou aquela grande coisa. Se teu pensamento for aquilo que deve ser, pouca dificuldade encontrarás na tua ação. No entanto, lembra-te de que, para seres útil à humanidade, teu pensamento deve se traduzir em ação” Humarran em 1962

“Tudo pode ser realizado no domínio psíquico pelo AMOR, na ação da vontade, na Lei do Auxílio - princípio superior de todas as coisas! A potência da vontade de quem busca, honestamente, servir aos seus irmãos, não tem limites. E quando dormimos, cansados, pensando, pensando com amor em servir a alguém, nós nos transportamos e saímos pelos Planos Espirituais, em seu socorro...” Humarram em junho de 1979

Passagens com Humarran (fragmentos de cartas)

“Até aquele momento eu era alguém de difícil entendimento para com os outros e para comigo mesma. Talvez a dor provocada pelo drástico desenlace da minha vida...

Meus tumultos nunca cessavam, sempre me sentia como um rio que transborda do seu leito e sai extravasando, empurrando a margem, derrubando as paisagens, projetando desavenças, dúvidas, e afirmando também o ESPÍRITO DA VERDADE. Porém, derrubando por terra, levando a dor pela visão transtornada...

Tudo que estava escrito, tudo que saía de mim tinha esse tumulto errado. A minha insegurança ou a minha falta de amor me faziam perigosa, indesejada, pelas constantes revelações trágicas que faziam sofrer a mim e aos outros. Essa tristeza revelava melancolia... essa coisa esquisita que vinha se comprimindo dentro de minha mente atormentada. Dizia, também, que já era tempo de mudar o caminho!

Resolvi, então, partir para o meu objetivo, sentir realmente o CANTO que do CÉU me chegava aos ouvidos. Obedeci meu Pai Seta Branca, rumei aos montes do Tibete, onde ouvi o primeiro CANTO UNIVERSAL, do velho incansável Humarram, mestre querido, que no seu aposento em Lhasa, me deu o que jamais pensei receber, me ensinou a VIAGEM para estar com ele, me ensinou o SENTIDO COMUM DA VIDA FORA DA MATÉRIA, em suma, tirou a cegueira que me fazia amaldiçoar a vida obscura e dolorosa...”                                  Tia Neiva em 1º de janeiro de 1960

”Ó, Jesus! Alguma coisa parecia estar me impulsionando para que sentisse o desejo de assumir um lugar diferente daquele que ocupava. Era um novo rumo para a minha jornada. Estava cansada... Como?... Teria, então, mais e mais – todo aquele acervo era pouco! Eu, o burrinho, estava leve. Seria isso então? Até aquele momento eu era alguém de difícil entendimento para com os outros e para comigo mesma. Cansada, dormi debaixo de um pequizeiro. Me transportei até o Tibete e, como sempre, fui ter com Humarram – Estava frente a ele, não tinha dúvidas.

- Oh, meu querido Mestre!... Não sei se devo te chamar assim...

- Sim, minha pequena Natacha. Porém, antes, deves entregar teus olhos a Deus!

Levei os olhos para uma pequena janela onde se via a luz do sol de uma tarde, e disse:

- Jesus, arranque os meus olhos se tudo for mentira... – e continuei com meus mestre: - Tens uma vida simples e dolorosa. Se fosse eu, não suportaria!...

- E como! Dolorosa, porém embebida de lágrimas santificantes, do dever, da vida em luta, de renúncia sublime! Natacha, no mais íntimo do ser humano, que é o PLEXO, existem ENERGIAS LATENTES, forças poderosas que não são exploradas senão excepcionalmente. Com a intervenção destas forças podem ser curadas as doenças do corpo e do caráter, digo, doenças físicas e morais.

- Que movimento misterioso, que me surpreende!...

- Tudo deve ser silenciosamente, pelos movimentos psíquicos de cada faculdade mediúnica. Esta, uma vez desenvolvida, nos permite modificar nossa natureza, vencer todos os obstáculos, dominar a matéria e até vencer a morte, Natacha!

- Me chame Neiva! – disse eu – Gosto do meu nome...

- O princípio superior de todos os missionários é o trabalho. Sua ação será comparada a um imã. Terás que viver atraindo novos recursos vitais. Terás, também, o segredo da evolução, das transformações de vidas cujo princípio não está na matéria mas, sim, na própria vontade. Esta ação se estende tanto no mundo etérico como no físico – matéria! Tudo, filha, pode ser realizado no domínio psíquico, pelo amor, na ação da vontade, na Lei do Auxílio, princípio superior de todas as coisas. A potência da vontade de quem busca, honestamente, servir aos seus irmãos, não tem limites. E quando dormimos, cansados, pensando com amor servir alguém, nós nos transportamos e saímos pelos planos espirituais, em seu socorro. A Natureza inteira produz fenômenos, metamorfoses. Quando conheceres a extensão deste fenômeno, seus recursos dentro de ti mesma, deixarás o mundo deslumbrado...

- Meus caminhos! Minha liberdade!... – disse eu quase chorando.

- Neiva, o que chamas de liberdade, se existe em ti a mais poderosa fonte de energia, que pode arrebentar as mais fortes cadeias dos domínios psíquicos?

Segurou meus braços e uma sensação de força se introduziu em todos os meus movimentos. Senti-me forte e preparada para o combate. Com a cabeça um pouco dolorida, voltei novamente à luta na busca pela sobrevivência. Despertei com alguém que dizia:

- Neiva, tem aí um colega querendo te ver. Diz se chamar Guido.

- Ó, meu Deus! – Gemi, e tudo que saía de minha cabeça, do meu cérebro, tinha um tumulto diferente, de pensamentos desiguais.” Tia Neiva em junho de 1960

“Partindo desta compreensão das origens criadoras nas atividades racionais e tão intimamente unidas, vidas conscientes, que sabem discernir que o negativo de hoje será o mal de amanhã, cada consciência vive e envolve os seus próprios pensamentos.

Através dos séculos do tempo, nada escapa à lei do progresso – as religiões acima de tudo!

Vibramos, emitimos, seguimos com a mente ou somos atraídos, o que não é muito bom. Sim, a vibração que nos atrai, mesmo de bons sentimentos, nos incomoda. A vibração desejada é quando nos sentimos irradiar. Pelas irradiações sabemos, conhecemos porque estamos sendo vibrados, levando em consideração as imperfeições dos nossos desejos, aspirações...

Não te esqueças de que os fenômenos magnéticos duram ainda depois da morte – assim é o peso!

Preserva tua mente do orgulho, pois o orgulho provém somente da ignorância, do Homem que não tem conhecimento e pensa ser grande, ter feito esta ou aquela grande coisa. Se teu pensamento for aquilo que deve, pouca dificuldade encontrarás na ação. No entanto, lembra-te de que, para serdes útil á Humanidade, teu pensamento deve se traduzir em ação!

Nas alterações, separamos de maneira rigorosa os transtornos da percepção. Alterações observadas no terreno das representações e, inclusive, as alucinações, porque nestas representações ou alucinações as alterações se manifestam sutis, tornando-se perigosas.

Resta-nos, agora, resumir e reunir, para concluir, resumindo a história da Ciência, para harmonizar os grandes princípios da MAGIA INICIÁTICA, conservada e transmitida através de todas as idades.

Conhecendo bem as leis e as forças da Cabala, às vezes nos admiramos tanto porque certos homens, que tiveram a graça de ser inteligentes, preferiram, no entanto, viver com suas almas presas nos estreitos limites do corpo humano, resistindo até mesmo aos esforços dos poderes superiores.

O medo do ridículo provocado pelo orgulho... Não sabe o Homem que seria mais inteligente se aprofundar para criar!...”                              Tia Neiva – Humarram em outubro de 1962

“Eu e meu Mestre HUMARRAM vivemos a vida e, inconscientemente nos preparamos para outra!

Onde e como? Nos perguntamos, sem resposta.

Porque tentar resposta, se é o desejo e eu procurarei conservar longe do meu pensamento todas as falsidades, sabendo que tu és aquela verdade que acende a luz da razão no meu Espírito.

Oh, Mestre! Não sei como tu cantas, oh, meu Mestre, mas ouço-te sempre em silencioso deslumbramento. Mestre, a minha e a tua vida caminham lentamente como o crepúsculo se distanciando do sol.

Muitas vezes pensamos ser irmãos em Deus, uma figura simples e hieroglífica, papel recortado em forma de gente. A dor, a alegria, tudo se confunde! Embora a dor não seja tão viva, avisto, de longe, os passos queridos, oferta da vida. Peço indulgência, que no fim, em Capela, onde estiver, longe das visões, o teu rosto e o meu coração, haja descanso deste labor sem fim, no oceano sem praia, sem verão, sem grinalda, que me serve nesta prisão luxuosa, que se afasta da poeira saudável desta Terra e que me empurra para uma Nova Era.”                              Tia Neiva em 9 de junho de 1978

“E vendo aquele mundo de gente, pensei em um por um deles. Humarram, vendo o meu pensamento, foi logo dizendo:

- Sim, as coisas de Deus são assim. Na Terra, todos têm seu encaminhamento e, aqui, muito mais. Veja ali, na Ponta Negra! Olha o Vale Negro, lá embaixo...

Lá havia comícios de todo jeito. Gente eufórica, se maldizendo e vibrando em outros aqui na Terra. Um triste espetáculo. Aquele trabalho era constante. Grupos enormes fazendo Abatás, outros emitindo aqueles enormes sermões.

Humarram me despertou, dizendo que eu visse que aqueles sermões não eram os mesmos todos os dias, e que ajudavam àquele povo. (...)

De repente, estávamos em frente ao grande Yumatã. É um lugar no Canal Vermelho que, de quatro em quatro horas, muda a iluminação aqui. Ao longe via as torres dos grandes Oráculos destinados a esta obra: Obatalá na força de Simiromba e Apará nos grandes poderes de Olorum. Fiquei encantada com aquele rosário de luzes que envolvia aquele mundo mágico.

- Breve estará aqui, filha, apesar de sua estrada ser outra” disse Humarram.

Sim, meu caminho é singular. Passar por outra estrada, mas na bênção da consagração de Olorum e Obatalá!”              Tia Neiva em 11 de setembro de 1984

“Quero deixar bem esclarecida a Vida além do mundo físico.

Fui levada por Humarram, há muitos anos, para ver o quadro de uma enorme família que chegava da Terra. Interessante aquele grupo que viera por força de um desencarne em massa. Todos se organizaram: chegaram ricos e logo compraram suas mansões. Perguntei a Humarram:

- Onde conseguiram dinheiro?

- Conseguiram na luz dos seus bônus!

- E o que fizeram para ganhar bônus?

- Fizeram amigos na Lei do Auxílio, respeitosamente tiveram suas consagrações ou sacramentos; com respeito e amor ajudaram os outros; tiveram tolerância com seus vizinhos e demais comportamentos que não fizeram sofrer os outros.

Sim, é fundamental a tolerância para os que estão em jugo. Precisamos ter muita paciência com os demais. Dessa paciência é que vem o amor - o amor incondicional. Cresce dentro da gente uma vontade muito grande de proteção. E Deus faz com que nossos filhos sejam as nossas vítimas do passado. Mesmo porque o Homem-Pai amolece o seu coração no desejo de protegê-los. Pai na totalidade, o Homem ainda tem o seu coração muito duro. (...)

A grande família estava no Canal Vermelho e caminhava em sua missão. Enquanto isso, a cada dia chegava um atrasado e ia ficando por ali.

- Por que tudo isso?

Humarram me respondeu:

- Porque os espíritos só vão para sua Origem Colonizada quando chega o último membro e quando não mais tem inimigo em seu povo! Tia Neiva em 11 de setembro de 1984

“Lembro de algo que Humarram preparou para mim: naquele dia, ia para o sono cultural um jovem que deixara, na Terra, uma complicada cobrança, envolvendo sua enteada, uma jovem mulher, empenhada em dívidas. Era o quadro que eu via, e Humarram me explicou:

- A moça já está grávida e agora veremos se vai dar tempo. Seu sono e sua cultura foram muito tristes. Ele teria que voltar quando tivesse sete anos, mas, se tudo corresse bem, poderia voltar até depois de setenta ou oitenta anos.

- Por que a enteada? perguntei.

- Porque o jovem se apaixonou por ela, fez dívidas e estragou a vida dele, deixando a mulher ‘naquela’ situação.

- E que culpa teria a moça para perder seu filho, que é uma dor tão grande?

- É que ela alimentava o amor de seu padrasto, perdendo o sentimento pela mãe, não havendo respeito. Já se passaram mais ou menos cinqüenta anos da Terra, mas Deus não tem pressa. Eles estão chorando porque aqui sofrem mais e são mais conscientes.

- Mas não era esta família que estava na Terra?

- Não. Amaro, que é este jovem, já estava endividado com Susana. É a segunda vez que ele volta. Seu pecado é não respeitar sua família. Comporte-se em seu lugar, como Mestre Instrutora. Não é falta de respeito o comportamento. Estando na Terra, todos podem se libertar uns dos outros sem precisar traumatizar ou cravar uma injúria ou uma falsidade, que é o mesmo que matar fisicamente. E nosso amigo estava devendo anteriormente.

- Vai e volta, e ninguém lhe ensina nada?

- E o sono cultural, filha? Lá é dito tudo o que o Homem precisa saber. Inclusive, vai para um lar decente, com pais que ensinam a moral. Não há necessidade de erros... Todos têm uma oportunidade! Em cada canto tem alguém ensinando alguma coisa.

E em lágrimas e tristezas o nosso personagem se despediu, indo para o sono cultural. Sabe Deus quando voltará. Se tudo der certo, faz sua cobrança e volta. Pensei comigo: o que é bom para um não é bom para outro. E vendo aquele mundo de gente, pensei em um por um deles. Humarram, vendo o meu pensamento, foi logo dizendo:

- Sim, as coisas de Deus são assim. Na Terra, todos têm seu encaminhamento e, aqui, muito mais. Veja ali, na Ponta Negra! Olha o Vale Negro, lá embaixo...”                Tia Neiva em 11 de setembro de 1984

Cartas com Humarran (completas)

2ª Carta da Corporação de Mestres Adjuntos

Meu filho, quero deixar bem esclarecido a vida além do mundo físico. Fui levada por Humarram, há muitos anos, a prestar contas de um quadro de uma enorme família que chegava da Terra. Interessante aquele grupo, que viera por um desencarne em massa. Todos se organizaram, chegaram ricos e compraram suas mansões. Perguntei a Humarram: “Onde conseguiram o dinheiro?” “Conseguiram da luz dos seus bônus.” “O que fizeram para ganhar bônus?” “Fizeram amigos na LEI DE AUXÍLIO. Respeitosamente, tiveram suas consagrações ou sacramentos, com respeito e amor, ajudaram os outros. Tiveram tolerância com seus vizinhos e demais comportamentos que não fazem sofrer os outros.” Sim, é fundamental a tolerância para os que estão em jugo. Precisamos, filho, ter muita paciência com os demais. Dessa paciência é que vem o amor. O amor incondicional. Veja, filho, quando não temos um filho, não sabemos o valor, a importância do amor incondicional. Cresce dentro da gente uma vontade muito grande de proteção. E Deus faz com que os nossos filhos sejam nossas vítimas do passado. Mesmo porque o homem pai amolece o seu coração no desejo de proteger. Pai na totalidade, homem ainda tem o seu coração muito duro. “Sim, deixa pra lá!” - dizia Humarram. Vamos ao sentido dessa mensagem.. A grande família estava no Canal Vermelho e caminhava em sua missão. Enquanto isso, a cada dia chegava um atrasado e ficava ali até chegar na sua origem colonizada. “Por que tudo isso?” E Humarram me respondeu: “Porque os espíritos só vão para a origem colonizada quando chega o último e que não tem inimigo em seu povo.” Sim, me lembro de algo que Humarram preparou para mim: Naquele dia ia para o sono cultural um jovem, que deixara na Terra uma complicada cobrança: uma jovem mulher, empenhada em dívidas. Agora ele teria que voltar à Terra e nascer no lar de sua enteada. Era o quadro que eu via. E Humarram me explicou: “A moça já está grávida. Agora veremos se dá tempo. Seu sono, sua cultura, foram muito tristes. Ele teria que voltar quando tivesse 7 anos. Se tudo corresse bem poderia voltar até os 70 ou 80 anos.” “Por que a enteada?” “Por que o jovem se apaixonou por ela. Fez dívidas estragando sua vida e deixando, também, a mulher naquela situação.” “Mas que culpa teria a moça para perder seu filho, que é uma dor tão grande?” “É que ela alimentava a paixão de seu padrasto, perdendo o sentimento pela mãe. Não havia respeito. Já se passaram 50 anos mais ou menos e Deus não tem pressa. Eles estão chorando porque aqui sofrem mais e são mais consciência.” “Mas, não é esta família que estava na Terra?” “Não. Amaro, que é este jovem, já estava endividado com Susana. É a segunda vez que ele volta. Seu pecado é não respeitar sua família. Se comporte em seu lugar como Mestre Instrutora! Não é falta de respeito, o comportamento. Estando na terra todos podem se libertar uns dos outros, sem precisar traumatizar ou cravar uma injúria ou uma falsidade, que é o mesmo que matar fisicamente, e nosso amigo estava devendo anteriormente.” “Vai e volta e ninguém lhe ensina nada?” “E o sono cultural, filha? Lá é dito tudo o que o homem precisa saber, inclusive vir num lar decente. Com pais que ensinam a moral, não há necessidade de erro. Todos têm uma oportunidade, em cada canto tem alguém ensinando alguma coisa.” E, em lágrimas e tristezas, o nosso personagem se despediu para o sono cultural. Sabe Deus quando voltará. Se tudo der certo, faz a sua cobrança e volta. Pensei comigo: O que é bom para um, não é bom para o outro, e vendo aquele mundo de gente pensei em um por um desses... E ele, vendo o meu pensamento, foi logo dizendo: “Sim, as coisas de Deus são assim. Na Terra todos tem o seu encaminhamento e aqui, muito mais. Veja ali na Ponta Negra! Olha o VALE NEGRO, lá embaixo!” Lá havia comícios de todo jeito. Gente eufórica, maldizendo e vibrando em outros aqui na Terra, um triste espetáculo. Aquele trabalho constante, grupos enormes fazendo Abatás, outros emitindo aqueles enormes sermões. Quando Humarram me despertou, dizendo que eu visse que aqueles não eram os mesmos de todos os dias. Que aqueles sermões ajudavam aquele povo. Uma das coisas mais bonitas que eu vejo, ultimamente, são os Cavaleiros Caçadores da Legião de São Lázaro. E, acredite, meu filho, que estamos chegando no tempo dos caçadores. É preciso que o Jaguar conheça bem seus sentimentos, suas vibrações e se desarme contra seus vizinhos, sabendo que o Homem Luz só está evoluído quando não se preocupa com o seu vizinho. De repente, nós estávamos em frente ao grande Yumatã. É um lugar no Canal Vermelho que, de 4 em 4 horas, muda a iluminação daqui. Ao longe via a torre dos grandes Oráculos destinados a esta obra. OBATALÁ na força de SIMIROMBA e APARÁ nos grandes poderes de OLORUM. Fiquei encantada com aquele rosário de luzes, que envolvia aquele mundo mágico. “Breve estará ali, filha. Apesar de sua estrada ser outra!” Sim, meu caminho é singular, passar por outra estrada, mas na benção da consagração de OLORUM e OBATALÁ. Tia Neiva em 11 de setembro de 1984

MINHAS PALESTRAS COM HUMARRAM

“NEIVA: Precisas distinguir entre o verdadeiro e o falso. Deves aprender a ser verdadeira em tudo, em pensamentos, palavras e ações. Por mais sábia que sejas um dia, ainda terás muito que aprender. Todo conhecimento é útil e dia virá em que possuirás muito. Amor e sabedoria - tudo se manifestará em ti. Entre o bem e o mal, o ocultismo não admite transigência. Custe o que custar, é preciso fazer o Bem e evitar o Mal. Teu corpo ASTRAL MENTAL se aprazerá em se imaginar orgulhosamente separado do FÍSICO.” Eu ouvia como se estivesse distante dali. Ele me observou dizendo: “Neiva, gostas de pensar muito em ti mesma. Seta Branca está incessantemente vigilante, sob pena de vires a falir. Mesmo quando houveres te desviado das coisas mundanas, ainda precisarás meditar, fazendo conjecturas acerca de ti mesma. Jesus nos adverte: ANTES DE CULPAR O TEU VIZINHO, POR QUE NÃO SER SEVERO CONTIGO MESMO? A tua vidência é algo sem limite, é algo sublime. Tens tudo para fazer o bem e o mal. Se fizeres o mal, te destruirás; se fizeres o bem, crescerás como a rama selvagem. Não te esqueças, também, que, acima de tudo estás aqui para aprender a guardar segredo mesmo, fazendo mistério das tuas revelações. Esforça-te por averiguar o que vale a pena ser dito e lembra-te que não se deve julgar uma coisa pelo seu tamanho. Numa coisa pequena, muitas vezes, se tem maior sentido. Não deves acolher um pensamento somente porque existe nas Escrituras durante séculos. Deves fazer distinção entre o que é útil ou inútil. Alimentar os pobres é boa ação, porém, alimentar as almas é ainda mais nobre e útil do que alimentar os corpos. Quem quer que seja rico pode alimentar os corpos, porém, somente os que sorvem conhecimento espiritual de Deus podem alimentar suas almas. Quem tem conhecimento tem dever de ensinar aos outros. A tua responsabilidade, Neiva, será a maior do mundo. Nunca poderás dizer tudo e não poderás, também, calar.” Dizendo tudo isto, começou a contar este exemplo: “Eu era muito jovem quando me enclausurei neste mosteiro. Porém, antes de entrar aqui, tive grandes experiências. Ouve um tempo em que a Índia era o ponto principal para as revelações. Vinham de longe muitos curiosos e romeiros, magos... videntes. Viviam por aí a espreita das oportunidades de suas alucinações. E uma destas, aconteceu com um famoso Lorde que veio da Inglaterra para saber o destino do seu filho recém-nascido. O mestre que lhe atendeu estava de saída. Os seus companheiros já estavam esperando na célebre porteira para assim cada um ter a sua direção. O fidalgo insistia e o mestre contou sem amor o que via: Disse que seu filho teria um mal destino e deu todo o roteiro de sua vida: Em tal tempo lhe acontecerá isto, em tal tempo será assim. E, na verdade, o fidalgo saiu dali louco. Seu filho que, até então, era a sua alegria, passou a ser a sua própria sentença, e até então, não fez nada senão sofrer a espera dos acontecimentos em toda a sua vida. Porém, nada lhe aconteceu. O jovem foi feliz, casou-se e nada de mal lhe aconteceu, enquanto o fidalgo, seu pai, amargurou toda a sua vida. As vibrações do fidalgo, não te preciso dizer, destruíram a vida do impensado mestre. Ninguém teve intenção de magoar ninguém, porém o pecado das palavras impensadas de um mestre ou clarividente é algo muito sério. Veja sempre em sua frente o fidalgo, o homem que sofreu as conseqüências de seu orgulho porém nunca faças como o impensado mestre. Nunca participes com ninguém. Serás, antes de tudo, uma psicanalista. É bem melhor que as pessoas saiam de perto de ti te desacreditando do que desacreditando em si próprias. Volte para o teu corpo, filha, e vá enfrentar as feras, como dizes, porém saiba que todas são melhores do que tu. Elas não têm ideal como tu. Elas sofrem o teu incontrolável temperamento.” Me julgam como se fosse uma qualquer, porque sou motorista. “Para ti tudo é bom no caminho da evolução!” Dizendo assim me fixou e eu me senti já na minha casa. Tia Neiva na UESB em maio de 1960

2 comentários:

Vim retribuir sua visita ao Arca e dizer-lhe que será um grande prazer compartilhar experiências e textos sobre Espiritualidade com você. Já ouvi muito falar em Tia Neiva. Realmente, uma grande mulher, admirável em todos os sentidos. Grande abraço e fique com Deus.

Salve Deus!

Estive pensando sobre tudo que acabei de ler, de absorver...me sinto tão pequena nas minha queixas diárias, me sinto tão pequena na experiência e na vivência dos desbravadores desta Doutrina...Tia Neiva ...minha Mãe! Agora temos todo esse acervo, o Templo Mãe, os Templos externos, nosso Aledá, tanta riqueza e ainda perdemos tempo com intrigas, perdemos a paciencia com os nosso vizinhos, o nosso próximo... julgando e achamos, com a nossa vaidade, que somos melhor que ele...perdendo tempo com coisas futeis e esquecendo o que realmente importa...Não meus irmão, o caminho não é fácil...Como encarar a nossa verdadeira face?

Grega Lua

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