quarta-feira, 21 de abril de 2010

O Percurso de uma Vida

Onze meses antes da reencarnação o Espírito percorre, acompanhado de seu Mentor, os lugares onde viveu suas várias encarnações. Vai em busca dos pontos magnéticos gerados pelas Energias Cármicas deixadas por ele.

Dentro dessas coordenadas ele escolhe o seu plano encarnatório, a começar pela mãe, o pai, os amigos e os inimigos que irá ter. Prevendo as próprias vacilações, ele escolhe também um futuro Amigo e Protetor que irá ajudá-lo na penosa experiência.

Depois disso ele entra para o chamado sono cultural, enquanto o plano é executado pelos Mentores.

Isso mostra claramente que o livre arbítrio é que preside todos os atos. Mesmo depois de encarnado, quando esquecido da escolha feita, se ele não quiser aceitar as condições que se impôs, pode fugir ao cumprimento do programa. Essa fuga, entretanto, apenas lhe traz mais angústias e transfere os problemas para mais tarde. Mas, o importante é que Deus não tem pressa...

E assim, um Ser Humano nasce em determinado lugar, sua família muda-se para outro lugar, ele cresce e viaja para outro lugar e pode acabar sua vida em algum lugar bem distante de onde começou. Acaso?

Não, não existe acaso na vida humana a não ser na aparência sensorial. Atrás de cada acontecimento de nossas vidas, do mais banal ao mais importante, existe sempre um intrincado mecanismo, cujo funcionamento é mais complicado ainda porque muda a cada momento. Essa mudança se opera a cada instante na dependência de nossas decisões. Se a decisão é certa, se está de acordo com o programa traçado pelo nosso Espírito, o resultado é bom, nos sentimos em harmonia com o Universo. Se a decisão é errada, com isso contrariamos nosso destino transcendente, sentimos angústias e dor.

O Homem é feliz ou infeliz dependendo de como vive e de como estabelece seu sistema de decisões. Naturalmente, a pergunta que essa questão suscita de imediato é: como saber o que está certo e o que está errado? - mas esse é exatamente o enigma da vida, o desafio evolutivo, o preço da autonomia, do Livre Arbítrio. Foi talvez essa questão que levou os sábios da mais remota antigüidade a inscrever nos pés da Esfinge:

"Decifra-me ou te devoro"

E que levou São Francisco de Assis a dizer:

"Senhor, dai-me forças para tolerar as coisas que não podem ser mudadas; dai-me amor para mudar as coisas que devem ser mudadas e dai-me sabedoria para distinguir umas das outras".

Mas, para sermos bem objetivos, para que possamos realmente saber a decisão certa, a Natureza nos deu um mecanismo de percepção que nos permite saber qualquer que seja nossa posição no contexto humano - as coisas da Lei no Plano Físico, as coisas da Lei no Plano Psíquico e as coisas da Lei no Plano Espiritual.

Normalmente, nós estamos habituados a ouvir a voz de nossos desejos e a voz de nossa Alma (mente transitória), uma vez que seus reclamos são facilmente discerníveis: eu sei quando tenho fome e sei do que gosto ou não gosto. Essas exigências produzem uma pequena dor. Mas temos também que nos acostumar a ouvir a voz de nosso Espírito, pois a falta disso nos produz a grande dor, a verdadeira dor. Perder um corpo é um fator natural - não existe corpo eterno; perder a Alma (nossa personalidade transitória) também é um fator natural - não existe Alma eterna. Mas perder o Espírito, tirar a oportunidade de uma encarnação arduamente conquistada é desafiar a Lei em seu aspecto mais amplo, é fato mais grave e mais doloroso.

Por essa razão é que o Grande Mestre Jesus nos deu, de forma clara e adequada, o Sistema Crístico na sua Escola do Caminho, para que pudéssemos ouvir facilmente a voz de nosso Espírito.

Por tanto, não tem como querer interpretar as palavras do Divino Mestre seguindo o texto dos Evangelhos de forma literal. Suas parábolas e grandiosas lições nos remetem a reflexão. E, baseados nessa reflexão é que trazemos o resumo todo dos Evangelhos em três palavras: “Amor, Humildade e Tolerância”.

Seguindo esta suma lição, podemos ouvir a voz de nosso espírito, de compreender os percalços que passamos e as vitórias que ainda podemos conquistar. “Sentimos” verdadeiramente o quê está em nossa jornada. Para onde devemos ir, com que devemos nos relacionar. Seremos reflexos do quê atraímos com nossos pensamentos, palavras e ações! E agindo dentro da máxima destas três palavras, somente atrairemos o quê possa ser bom e produtivo.

Salve Deus!

Adaptação dos textos do Trino Tumuchy de 1977

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