quarta-feira, 7 de abril de 2010

HOMENAGEM - Tia Lúcia

GUERREIRA




Deveria ser muito fácil falar de Tia Lúcia. A mãe, a missionária, a filha, a conselheira, uma pessoa especial em todos os sentidos.

Mas procurar uma palavra para defini-la me tirou o sono! Como encontrar a primeira palavra para iniciar este texto de homenagem? Em relação a ela sou passional em todos os sentidos e qualquer qualidade que fosse mencionar seria no superlativo.

Mas relembrando uma passagem especial, quando ela buscava um texto para o Manual das Muraicys para definir Mãe Yara, neste dia estávamos cansados e faltava esta página para o Manual, e veio na mente a inspirada palavra “LUZ” e o cansaço mais uma vez se desfez! Lembrando disso veio na mente...
  GUERREIRA!

Tia Lúcia é incansável! Uma verdadeira guerreira! Sempre mantendo vivo o espírito criativo de sua Mãe, nunca curvou-se ao desânimo ou ao cansaço. Iniciando uma nova missão antes mesmo de colher os resultados da que estava acabando. Na área física da Casa Grande, no Solar dos Médiuns, nos painéis, murais, manuais, no próprio templo onde o mérito da beleza das reformas tem que ser dado a quem tem a coragem de ir lá lutar para fazer.

Nunca suas missões foram sem grande esforço, sem o sacrifício da própria família. Madrugadas intermináveis de trabalho verdadeiro e gratificante.

Seu carinho, seu cuidado com tudo relacionado à nossa doutrina só pode ser avaliado por quem convive ou conviveu ao seu lado, por quem participou e viu os frutos de cada obra. Que sabia da sinceridade de suas intenções e da grandeza de nunca impor-se como dona da idéia.

Tenho guardadas dezenas de lembranças dignas de nota, ensinamentos valiosíssimos, pérolas de luz inspiradas em momentos em que outros se sentiriam incomodados.

Certa vez, quando realizávamos um trabalho de distribuir alimentos, roupas e brinquedos, no fim de ano, para os médiuns mais carentes, uma senhora vinha e buscava as coisas e ia distribuir como se ela estivesse dando por conta própria, escolhendo que podia ou não podia receber. Eu, atento ao que se passava, já me preparava para “cortá-la”, não admitindo aquele tipo de atitude. Quando comentei minhas intenções com Tia Lucia, ela sorriu e disse: “Deixe ela fazer a caridade dela! Vai estar ajudando de qualquer forma”.

Outra vez, um senhor roubou uma peça de mortadela que havia sido doada para o orfanato. O homem, não precisava, e os meninos haviam visto chegar e já contavam com um café da manhã especial no dia seguinte. Fiquei enraivecido, já pensava em delatar o sujeito por todo o Vale, acabar com ele! Aí Tia Lúcia chegou e me disse: “Quem não serve para ser seu amigo, vai ser muito pior como seu inimigo”. E me deu o dinheiro para que eu comprasse a mortadela para o dia seguinte.

Nos meus primeiros passos doutrinários, vivendo por ali, sempre a rodeando pelo salão de costura, eu me calava para ouvir.

Tia Lucia me ensinou um sentimento que eu desconhecia: Amor de Família! Perdi minha estrutura familiar muito cedo, e nunca consegui entender ou valorizar as ligações familiares. Graças a ela pude compreender o quê significa a palavra mãe. Graças a ela pude ter como construir uma família linda, extremamente unida e feliz, mesmo eu sendo proveniente de um lar devastado pela dor.

Quando deixei Brasília, minha maior dor era não poder fazer contato com ela, ouvir sua voz, sentir o cheiro da sua casa... Da minha casa! Pois assim me sentia quando lá chegava e era recebido. Mas eu estava recomeçando, dolorido, orgulhoso e precisando provar que era capaz. O tempo passou, a cada dia foi ficando mais distante e mais difícil. Nas minhas outras jornadas por este Brasil eu sempre pensava em voltar e nunca voltei. Sempre segui adiante... E infelizmente desta vez também não foi diferente.

Não sei se ainda mereço o carinho desta mãe, mas sua foto nunca saiu do meu Aledá, nunca deixei de tomar café sem açúcar, como ela gostava, só para lembrar dela... Ficou como se fosse uma chave para ouvir um bom conselho, para tomar uma boa decisão.

Tia Lucia... Posso voltar para casa?
Do Jaguar Exilado, filho pródigo talvez,

Rodrigo

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